O dia em que a Record deu um banho na Globo

Meio da tarde de sábado, 1º de janeiro de 2011. Dilma Rousseff havia sido empossada a primeira presidenta do Brasil há alguns minutos, Lula ainda não deixara o Planalto. Como se tudo já tivesse acabado, ou se se tratasse de momento de pouca importância, a Globo encerra a transmissão e passa a bola para o direitista Luciano Huck tocar seu programa de futilidades em rede nacional.

Praticamente ao mesmo tempo, o SBT interrompe a posse para passar um filme.

Quando Lula se despede do seu povo, quando representantes de outros países cumprimentam Dilma, quando o carro do ex-presidente discretamente deixa o Palácio, quem mostra em rede aberta de TV é a Record, que escalou um time de jornalistas mulheres para comentar a cerimônia. Salvo algumas poucas exceções, estavam muito bem informadas, capazes de repassar as informações aos espectadores de forma competente e sem o preconceito – de classe, de gênero, político – presente nos comentários da GloboNews, por exemplo.

Para coroar a diferença entre as emissoras, depois que Globo e SBT já haviam esquecido do momento que o Brasil vivia, a Record dá um banho de jornalismo. Dá aos cidadãos brasileiros a oportunidade de conhecer a opinião do vice de Lula, José Alencar, sobre a cerimônia. Do hospital, Alencar conversou ao vivo por telefone com a equipe da Record. Muito lúcido, contribuiu para uma rica cobertura.

Globo mostra que vem perdendo espaço no cenário da televisão brasileira. E isso acontece porque desrespeita o cidadão brasileiro ao vetar-lhe informações importantes e tentar influenciar na formação de sua opinião, sem contraponto.

Que o momento propicie o surgimento de novos meios e incentive uma discussão pública sobre a comunicação.

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O dia em que a Record deu um banho na Globo