ZH na dura batalha da oposição a Tarso

Hoje a Rosane de Oliveira ousou um pouquinho mais do que comum. Editora de críticas comedidas em sua coluna na Zero Hora – sem esquecer que edita toda a área de política do jornal -, agora reclama da possível existência de um conselho de comunicação, pedida pelo Sindicato dos Jornalistas do RS. Alega que seria “inibidor da liberdade de imprensa”.

Algumas páginas depois, a própria ZH diz que a criação de um conselho foi proposta da Confecom, ou seja, manifestação da sociedade reunida em conferência no ano passado. Quem não quer que o conselho exista são apenas os setores mais conservadores da mídia, que acham que liberdade é falarem o que bem entendem, não sofrerem críticas (todos sofrem, ora bolas!) e não deixarem mais ninguém falar o que não lhes convém.

Aí a ZH diz nessa mesma matéria da página 18 que “entidades em defesa da liberdade de imprensa têm rejeitado a proposta de criar conselhos por entenderem que o órgão pode se prestar a limitar a atuação da mídia, principalmente restringindo a margem de crítica e fiscalização da atuação dos governos”. Que entidades abstratas são essas? Por que ZH não as nomeia?

Eu defendo a liberdade de imprensa e, justamente por isso – por querer liberdade para todos e por entender que a sociedade deve participar do processo, não apenas alguns poucos setores que por acaso são os donos dos meios de comunicação – é que defendo a criação de conselhos. A imprensa exige o direito à crítica, mas não fornece à sociedade e aos governos o mesmo direito de criticá-la. Quer fiscalizar sem ser fiscalizada.

E não me venham com chorumelas de que fiscalizar a imprensa é censura. Os veículos de comunicação são tocados por pessoas. Aliás, por muito poucas pessoas. E pessoas erram, pessoas divergem, na melhor das hipóteses. E algumas agem por má fé. Em um setor tão fundamental para o pleno exercício da democracia, não podemos correr o risco de que pessoas de má fé ou apenas gente de uma área específica seja o responsável por toda a produção de conteúdo.

Considerando que o conselho seria formado pelos mais diversos setores da sociedade, fica difícil imaginar a possibilidade de existir alguma censura política.

Meu trabalho é alvo de críticas constantemente. Lido com isso porque sei que não sou dona da verdade e erro. Aprendo. Por que não a grande imprensa?

—————–

A Rosane vai além da comunicação. Seu principal alvo hoje, como não podia deixar de ser, foi o futuro governo do estado, que está sendo formado.

Diante do anúncio do novo secretariado, disse que prevaleceu o “critério político” em detrimento de uma escolha por quadros técnicos. Em tempos em que a imprensa faz crer que o melhor para governar qualquer instância do poder são os nomes técnicos, essa é uma crítica que cai pesada, como se o “político” não tivesse competência justamente para fazer política.

Em seguida, vem uma alfinetada de que há 30 secretarias só para poder acomodar a coalização. Acho tão engraçado que se o PT fica sozinho é sectário, não consegue dialogar, mas se o PT coliga é errado porque tem que acomodar todo o mundo.

Depois, traz a notícia de uma “mágoa” no PSB por conta dos poucos cargos no governo. Juro, eu estava lá no anúncio na Procergs e não vi nada disso. Tentativa de desestabilizar a coalizão que não deveria existir, mas que seria ruim se não existisse e que existe e vai bem e a RBS não gosta.

Prometo que é a última. Essa foi só de uma frase: “Tudo indica que o Detran ficará subordinado à deputada Stela Farias, maior algoz dos antigos administradores”. Como a Stela é malvadinha, hein. Que feio ficar cobrando dos “antigos administradores” sem nome a corrupção no Detran. Feia, boba e malvada, por que não deixou quieto? Afinal, eles roubavam dinheiro do povo, né. Se dividisse a conta entre todos os gaúchos, ia dar uma moedinha só de prejuízo pra cada um. Viu, Stela, quase nada e tu ainda ficas reclamando. Algoz de gente boa do PSDB, tsc tsc.

ZH na dura batalha da oposição a Tarso

Casa Militar teria alugado carro para seguir deputada do PT

Como o nome não foi citado, só lembro que foi durante o governo Yeda Crusius (PSDB), que utilizou a Casa Militar para espionar adversários políticos.

Da Zero Hora:

A Casa Militar do Piratini teria usado dinheiro público para alugar, em 2009, um veículo destinado a seguir a deputada estadual Stela Farias (PT). O carro, um Corolla, teria sido utilizado por pelo menos três dias para monitorar a rotina da petista, que à época presidia a CPI da Corrupção.

A ação, que foge às finalidades da Casa Militar – responsável por atuar na segurança da governadora e de seus familiares –, foi detalhada em depoimento pelo policial que admitiu ter dirigido o veículo. O PM contou o fato ao ser ouvido na investigação do Ministério Público de Canoas que apura supostos crimes praticados pelo sargento César Rodrigues de Carvalho, que era lotado na Casa Militar.

O soldado, que atuou na Casa Militar até o final de 2009, disse ter recebido ordem de um oficial para seguir Stela. A missão consistiria em verificar eventuais endereços, o que ela fazia e os locais que frequentava. Na segunda-feira, Stela recebeu do promotor Amilcar Macedo a confirmação de que teria sido seguida.

– Vou adotar medidas contra os mandantes, mas também espero que a Assembleia tome providências – disse ontem a deputada.

O tenente-coronel Abel Monteiro de Souza, chefe interino da Casa Militar, disse não saber do episódio.

Casa Militar teria alugado carro para seguir deputada do PT

Há mais espionados pelo governo gaúcho por aparecer, diz Stela

“Está muito claro que esse processo não é fruto de falta de controle do sistema ou da cabeça do sargento. Estamos convencidos de que esse é um processo que tem mandantes, como o próprio promotor já falou”, disse a deputada Stela Farias na coletiva chamada pela bancada do PT na Assembleia Legislativa do RS hoje (08) à tarde.

O sargento a que se refere é César Rodrigues de Carvalho, preso por praticar espionagem e cobrança de propina quando estava lotado na Casa Militar do governo do estado como segurança da governadora Yeda Crusius. Ele usou senhas da Secretaria de Segurança para acessar dados de parlamentares, delegados, jornalistas e até crianças, filhos de deputados. O promotor a que Stela se refere é Amílcar Macedo, que investiga o caso e alertou a deputada que fotos de seu filho de oito anos haviam sido encontradas. “Essa situação é inaceitável, absurda, não podemos calar”, disse.

Stela fez questão de destacar dois pontos importantes. O primeiro diz respeito à investigação de Yeda, Ricardo Lied (ex-chefe de gabinete da governadora), Sandra Terra e Walna Vilarin Menezes (assessoras de Yeda), entre outros ligados à governadora. “A imprensa faz confusão, parece que está tudo no mesmo saco. Esses estavam sendo investigados para se proteger de possíveis arapongagens”. O objetivo, segundo Stela e Raul Pont, também deputado estadual e que falava em nome da bancada do partido, era averiguar se havia algum processo ou qualquer tipo de investigação contra eles.

Esquema vem do centro do governo

“Estamos convencidos de que há uma arquitetura de espionagem que sai do centro do governo”, disse Stela. Afinal, a espionagem aconteceu em outubro de 2009, o período mais quente da CPI da Corrupção, liderada pela deputada. “E é muito possível que tenhamos mais nomes nos próximos dias, de outros deputados, pelo que me disse o promotor.”

Posição do Parlamento

Diante das denúncias, o PT pede um posicionamento firme da Assembleia enquanto instituição, rechaçando a atitude, já que pelo menos dois de seus membros tiveram sua intimidade violada. “Isso não é correto, não é republicano”, afirmou Raul Pont, “nós somos portadores de um mandato, fomos eleitos para representar a população.” A bancada petista pede da Casa providências jurídicas e políticas. Ela terá ainda um advogado para acompanhar a investigação. Quer saber quem foi que forneceu ao sargento a senha master, que dá acesso aos dados e é restrita aos altos escalões.

Utilização na propaganda política

Questionado sobre a utilização eleitoral do episódio, Raul Pont foi enfático. “Não vamos transformar o debate eleitoral, que tem que ser programático, propositivo, mas não vamos tratar isso como uma coisa banal”, disse. “No Brasil as coisas parecem banais na sua excentricidade, mas alguém tem que dizer que isso não está certo.”

Há mais espionados pelo governo gaúcho por aparecer, diz Stela

Até crianças foram espionadas no Rio Grande do Sul

Tarso Genro, Stela Farias, Marco Weissheimer, um menino de oito anos. O que eles têm em comum? Junto com mais dezenas de pessoas, foram espionados pelo esquema armado dentro do Piratini. O menino de oito anos a que me refiro é o filho da deputada estadual Stela Farias, do PT. Fotos dele e de seus dois irmãos apareceram na investigação.

Há nomes de diversos campos políticos, uma série de jornalistas – independentes e ligados a veículos -, delegados, filhos de deputados, de juízes. Não é um crime menor. É violação de sigilo, com fins políticos, para prejudicar grupos políticos. Olhando assim meio rápido, parece que Tarso Genro pode ficar chateado por ter sua vida devassada. Mas esse tipo de crime tem consequências muito maiores.

Primeiro, que expõe qualquer um de nós aos olhos de quem tiver poder para futricar nos dados sigilosos, o que não deveria acontecer. Depois porque, mesmo que a minha vida esteja protegida por não ter sido investigada, o fato de um grupo político se prevalecer de informações sigilosas para prejudicar outro pode influenciar estratégias políticas, distorcendo informações – especialmente por investigar jornalistas, como o Marco, do RS Urgente -, prejudicando eleições. O cidadão não tem uma política limpa e justa para escolher com clareza seus candidatos. O resultado pode ser sentido nas decisões políticas e, consequentemente, no cotidiano de cada um.

Espionagem e contra-espionagem

Vale destacar que nem todos os nomes da lista encontram-se nela por estarem sendo investigados. Alguns constam ali para se saber se eles sofriam algum tipo de investigação. Para protegê-los. Ou seja, o fato de Yeda estar na lista não a absolve. Aliás, muito pelo contrário, já que o sargento César Rodrigues de Carvalho, preso pela espionagem, estava lotado na Casa Militar do governo do estado como segurança da governadora. Sempre me ponho a pensar na repercussão que teria se a situação fosse exatamente a mesma, mas invertida, se o governador fosse do PT.

Silêncio na imprensa

Ainda assim, na noite de hoje, o assunto sequer aparecia na capa da Zero Hora.com. Pior, não estava na página de eleições do jornal. A imprensa gaúcha tenta esconder os escândalos recentes ligados ao governo do estado. Interessa mais catapultar os factóides que prejudicam Dilma – e não se trata aqui de tratar de duas formas assuntos iguais: não há ligação nem distante comprovada do PT com a espionagem na Receita Federal, ao contrário do que acontece no Rio Grande do Sul.

Até o Valor Econômico deu o esquema de espionagem hoje, com o título Servidor de Yeda Crusius é preso por acesso a dados (disponível só para assinantes). Na imprensa gaúcha, silêncio.

————

Stela nem queria responder sobre o assunto, para não ser acusada de usar os filhos com motivação eleitoral. Mas sua indignação é grande e legítima. Que mantenha os filhos longe do assunto, mas uma resposta é necessária. Afinal, não foi ela que tomou a iniciativa de investigar crianças.

————

A lista de investigados (seja para descobrir podres ou para proteger) já divulgada (do Blog da Rosane de Oliveira):

– Adão Paiani – Ex-ouvidor da Secretaria da Segurança

– Ana Claudia Mazzali – capitã da Brigada

– Coronel Bondan – Brigada Militar

– Coronel Quevedo – Brigada Militar

– Chefes dos Serviço de Inteligência do CPM e do V COMAR

– Claudio Manfroi – ex-presidente do PTB

– Edilson Paim – delegado de polícia

– Eliseu Santos – ex-secretário da Saúde (acesso feito depois do assassinato)

– Flávio Conrado – delegado de polícia

– Flavio Koutzii – ex-deputado do PT

– Heliomar Franco – delegado de polícia

– Jefferson de Barros Jacques – major da Brigada

– Lair Ferst – pivô do escândalo do Detran

– Luis Augusto Lara – deputado estadual do PTB

– Luis Carlos Busato – deputado federal do PTB

– Marco Aurélio Weisshmeimer – jornalista do site RS Urgente

– Maria Lúcia Streck – jornalista (ex-Zero Hora)

– Nereu Lima – advogado (a confirmar)

– Roberto Sirotsky Gershenson

– Políbio Braga – jornalista

– Rafael Colling – jornalista da Rádio Gaúcha (a confirmar)

– Ranolfo Vieira Jr. – delegado de polícia

– Ricardo Lied – ex-chefe de gabinete da governadora

– Sandra Terra – assessora da governadora

– Sérgio Zambiasi – senador do PTB

– Stela farias – deputada estadual do PT

– Tania Regina Silva Reckziegel – presidente do PTB Mulher

– Tarso Genro – ex-ministro e candidato do PT a governador

– Telma Cecília Torran

– Vanessa Guazzelli Braga

– Walna Vilarin Menezes – assessora da governadora

– Yeda Rorato Crusius – governadora do RS

Até crianças foram espionadas no Rio Grande do Sul