Por que o PSDB perdeu?

Só uma provinha do artigo de Eneas de Souza no jornal Sul 21.

Achando resultados

O PSDB não quer na sua presunção intelectual reconhecer a sua fragorosa derrota eleitoral. E estão tentando achar resultados para dizer que não foram batidos. Daqui mais uns dias, pode ser que eles tentem nos convencer pela mídia, pelo sujeito comunicacional, pela indústria ideológica, de que ganharam ou que foram os vencedores morais da eleição. E poderiam continuar, dizendo que a votação foi equivocada e que o povo não sabe votar. Mas que São Paulo deu a vitória a Serra; que Porto Alegre deu a vitória a Serra; que Curitiba deu a vitória a Serra; que Florianópolis deu a vitória a Serra. E veja-se inclusive a fragilidade do argumento: o PSDB tenta fazer pensar que ter a vitória numa cidade ou numa região é não ter nenhum voto contra. E, por outro lado, dizem no seu silêncio que o Nordeste não interessa; que Brasília não interessa; que o Rio não interessa. É dar mais peso a uns votos que a outros. É o mesmo preconceito dos que um dia votaram contra Lula porque ele era metalúrgico e não falava inglês. Certos eleitores são mais qualificados que outros. No fundo, no fundo, os conservadores se acham os donos do Brasil e não querem que haja uma nova realidade no país. Não querem desenvolvimento com distribuição de renda, porque a distribuição de renda diminui a diferença entre as classes. Não querem a tendência a uma maior igualdade. Parte do PSDB não quer aceitar essa transformação profunda na economia. Resolveram bater chapa – e foram derrotados três vezes! Três vezes: duas com Lula e uma com Dilma. Sempre tratando de dizer, mesmo que no sussurro, mesmo que disfarçadamente, que a financeirização do Brasil foi um sucesso. E esta é a diferença fundamental da política econômica do PSDB e do PT, baseadas ambas na estabilidade da economia. Um, desenvolve a atividade econômica apenas para as finanças e o outro, não só para os capitais; mas também para uma boa parte da população.

Quer ler o resto, clica aqui (recomendo a leitura até o fim).

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Por que o PSDB perdeu?

Olívio e sua visão serena da política

Em entrevista ao Sul 21, Olívio Dutra fala do governo Lula, do projeto do PT, do governo do estado, da mídia. Quando foi governador, baseou a política em uma inversão de prioridades com relação ao modelo histórico de governo no RS. Aqui, um pequeno trecho. O resto no destaque de hoje do Sul 21.

“Temos que saber dialogar com os diferentes. A esquerda não é unipartidária, nunca defendemos a ideia do partido único. O limite para as alianças são os programas, a relação com a coisa pública, a visão republicana radical. A coisa pública não é propriedade dos governantes e seus amigos e muito menos dos mais influentes. Temos que representar os interesses públicos e quem estiver centrado nesta ideia já tem proximidade conosco. Quem respeita os movimentos sociais, como sujeitos no processo de mudanças e vê a questão social como um instrumento de política e não de repressão também se aproxima com nossos princípios. Os eixos do desenvolvimento sustentável, políticas públicas para o meio ambiente e cultura também são importantes. Construir programas nestes eixos pode selar coalizões com partidos diferentes.”

Mais um trechinho:

“A mídia não é um ente acima de tudo e de todos. A mídia é um dado da realidade e parte dela está vinculada a interesses econômicos poderosos, afinal são empresas. Fazem negócios com as notícias e escolhem, analisam quais os governos que facilitam para elas esta relação comercial. Bueno. Para essa parte da mídia não interessava um governo como o nosso, que entendia que o dinheiro público não era para facilitar negócios privados, era para qualificar a vida da maioria da população. Nós reduzimos os recursos para publicidade e entramos em choque com estes grupos. Depois, também com a renúncia fiscal, que sustentava esta parte da mídia que vivia de contas de publicidade altíssimas motivou-a a agir de forma ideológica, defendendo os seus interesses.”

Olívio e sua visão serena da política

Sul 21 acerta em cheio no conteúdo e na sua concepção


O destaque de hoje do Jornal Sul 21 está especial de bom. A matéria, assinada por Clarissa Pont, relata a briga, que já leva anos, para reativar o cinema Capitólio e transformá-lo em uma cinemateca. Com tantas idas e vindas, o projeto já é quase lendário. Vários atores estão envolvidos no processo. E Clarissa ouviu todos.

A matéria principal é comprida, é verdade. Mas o tema foi sendo ampliado, se tornando uma grande reportagem colaborativa ao longo do dia. O relato de Flávio Aguiar, por exemplo, foi incorporado depois que ele leu o texto de Clarissa e enviou suas sensações sobre o tema. Logo foi linkado ao texto principal, como uma espécie de retranca, um plus.

Aliás, colaborativa é uma palavra boa para descrever a reportagem. Quando abri o site pela manhã, antes de ler o texto, fiquei positivamente surpresa com a pauta. Gostei muito da ideia de buscar descobrir o que está acontecendo com um projeto bacana, mas parado. No almoço, encontrei a Clarissa e perguntei de quem foi a ideia. A resposta fortaleceu uma reflexão que venho fazendo com frequência: a sugestão foi de um leitor. Pelo Twitter.

O jornalismo está ficando cada vez mais interativo, e aprender a lidar com isso é um desafio, mas que pode enriquecer muito o trabalho. Sabendo lidar, enfatizo. E o Sul 21 soube, ao menos dessa vez. Ou seja, além da boa execução, todo o processo de produção da notícia, desde o seu surgimento, merece os parabéns.

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– Para quem quiser saber, o leitor que sugeriu foi @thiagoamoraes, como o @jornalsul21 bem creditou.

– As fotos são de Eduardo Seidl (@fototaxia), que, não canso de repetir, é um baita fotógrafo.

Sul 21 acerta em cheio no conteúdo e na sua concepção

Porto Alegre não precisa de mais concreto

Algumas pessoas ficam tão focadas nos detalhes que esquecem de olhar o todo. O geólogo Rualdo Menegat é exatamente o contrário. Conversar com ele amplia a visão de mundo, nos faz ter clareza de que não estamos sozinhos, de que precisamos conviver, seja com outras pessoas, com animais, com a natureza. Precisamos enxergar o que está ao redor para vivermos bem, para entendermos que, se continuarmos egoístas, se só nos preocuparmos em crescer, em construir, em ganhar, vamos perder. E muito. O destino final desse caminho é o caos.

A conversa durou quase duas horas. Transcrita, rendeu 16 páginas. Renderia muito mais. Dias, se fosse o caso. Mas o jornalismo precisa ser suscinto, e a versão final, bem menor, foi publicada no Jornal Sul 21. Contém ali a essência da conversa que tive com Rualdo, partindo do terreno da Fase, que pode ser votado essa semana na Assembleia do RS, para uma noção de cidade, de civilização.

Ele me contou que Porto Alegre, hoje, com as cidades ao redor, que são todas conurbadas, tudo uma coisa só, deixou de ser uma metrópole para virar uma megacidade, com seus 4,5 milhões de habitantes. É um nível acima da metrópole na escala, é muita gente. Vai um trechinho da conversa:

Para a megacidade de Porto Alegre não faz falta nenhum edifício que a torne mais atrativa, mais bonita, mais interessante, ela não precisa de novas construções arquitetônicas para conseguir atrair investimentos. Nós já somos 4,5 milhões de habitantes numa enorme plataforma de concreto que não precisa mais de edificações. Cada metro quadrado de área verde, isso sim, ela precisa. Seus estoques ambientais estão no limiar, reduzidíssimos, porque os processos da megacidade são muito rápidos. Veja Porto Alegre: em cinco anos mudou todo o perfil de edificação. Fermentou, cresceu como um pão sovado.

O Morro Santa Teresa pode ser considerado um desses estoques ambientais?

Exatamente. E nós temos que conservar os estoques que nós temos. São esses elementos que quebram essa absurda monotonia urbana, da máquina urbana que nos engole, que nos engolfa. Um pássaro numa árvore pode ser um momento em que uma mente olhe, se distraia, relaxe, faça sua higiene mental, se harmonize um pouco com o meio em que está, passe a respeitar melhor esse pássaro, essa árvore, e também a pessoa que está do lado dela.

Deu água na boca? Entao, continua lendo no Sul 21.

Porto Alegre não precisa de mais concreto

Alternativas para o terreno da Fase

Da coluna Polis, assinada por Vera Spolidoro no Sul 21:

A bancada oposicionista na Assembleia votou nesta terça-feira (26) alinhada com os apoiadores da governadora Yeda: autorizaram o governo a contratar operação de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O valor pode chegar a R$ 141 milhões, para investimentos no Estado.

Fonte de recursos

Mas os oposicionistas não estavam só pensando em beneficiar o Rio Grande do Sul. “É uma fonte de recursos para construir as unidades da Fase (Fundação de Atendimento Sócio-Educativa) sem vender o Morro Santa Teresa”, disse o deputado petista Raul Pont. A proposta de vender ou permutar a área, que tem causado polêmica, é um projeto do Executivo que tramita em regime de urgência.

Foto de Eduardo Seidl.

Alternativas para o terreno da Fase

No ar, agora, www.sul21.com.br, o novo portal do jornalismo gaúcho

No exato momento em que esse post é publicado, estou comemorando o lançamento do jornal eletrônico Sul 21, que ingressa na web agora através do endereço www.sul21.com.br.

O fato de ter em sua equipe só gente muito boa por si só não garante a qualidade do resultado final. Mas o fato de aliar bons profissionais com um planejamento bem feito e um projeto muito bem pensado são no mínimo indícios fortes de que o momento que estou, que estamos presenciando é único.

A editora atende pelo nome de Vera Spolidoro, que também assina uma coluna diária sobre política. Nós, blogueiros, temos nosso canto (e me sinto muito honrada por fazer parte dele), mostrando que o portal valoriza o trabalho já realizado aí pela web. A imagem é valorizada, seja através de fotos, vídeos ou charges. Uma equipe vai atualizar diariamente a reportagem especial de capa e outras tantas matérias do site. Uma clipagem analítica do jornalismo gaúcho, como não se vê em lugar nenhum, também está lá sempre cedinho de manhã. As edições são diárias, mas a atualização é constante. Colaborações de internautas são valorizadas, acrescentadas ao portal, que tem grande espaço para comentários. Redes sociais (Twitter, Facebook, Delicious, Orkut…) aumentam a interação com o público e mostram a disposição de dialogar em todas as frentes.

O jornalismo ganha. Os jornalistas adquirem um pouco mais de força para trabalhar. Só por termos uma nova ferramenta que nos permita acreditar que é possível fazer diferente, que tem espaço e interesse para isso já é um grande alento e um enorme incentivo.

Mas não ganhamos só nós, os profissionais da comunicação. O verdadeiro beneficiado é o cidadão gaúcho, que ganha com o surgimento de um portal que pretende aliar “foco predominante em temas políticos (entendendo a Política aí com “P” maiúsculo); qualidade da informação; busca de rigor na análise; postura crítica frente às desigualdades; permanente busca de diálogo, pluralidade e interatividade” (do RS Urgente). E que, assim espero, terá condições de fazer concorrência à visão monopolista que domina o jornalismo gaúcho.

Que a internet seja realmente o espaço da democratização que promete. E que se possa brigar de igual pra igual.

Então, não tem por que não conferir: www.sul21.com.br. No twitter, @jornalsul21.

Mais sobre o Sul 21:

Novos ares na internet – apresentamos o Sul 21

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