PMDB, PT, PDT e a negociação de apoios no RS

Voltando ao assunto dos apoios e coligações no RS, as disputas e alianças entre PMDB e PT, envolvendo PDT, PTB etc., só de pode chegar a uma conclusão: que coisa feia que é a política brasileira! Tem nomes bons, sim, mas eles acabam se perdendo nesse mar de lama e de jogos de interesse. Os partidos teoricamente se constituiriam em torno de uma ideia. Faz parte do partido quem compartilha daquela ideia. Ideologia, se chama isso.

Pff, parece coisa do passado. A gente lê no jornal como uma coisa natural o PMDB gaúcho estar dividido entre o apoio a Dilma ou a Serra e cogitar ainda a ideia de um candidato próprio do partido – com o qual só os gaúchos ainda sonham, diga-se. Como pode um partido estar dividido entre dois projetos antagônicos? Cadê a ideologia? Qual é a ideologia do PMDB?

Claro, falar do PMDB é sempre muito divertido. É o caso mais evidente dessa muvuca que a gente chama de política partidária. É o partido que é sempre oposição e governo, que apoia qualquer tipo de candidato sem corar o rosto de seus líderes.

Mas não é o único a lidar com tal desfaçatez, muito pelo contrário. Vejamos outro exemplo: no RS, PMDB e PT são como vinagre e azeite, não se misturam de jeito nenhum. Todas as eleições preveem uma disputa entre os dois partidos, embora alguns acabem correndo por fora. O PSDB do estado não tem a mesma força do nacional, de forma que foi quase um golpe de sorte – ou de muito azar, no caso – a eleição de Yeda Crusius como governadora. Mas não tem nenhum outro nome que se destaque. O dela própria, aliás, já não se destacava.

Ainda assim, com essa polarização entre PT e PMDB, o PDT fica negociando o apoio nas eleições de 2010. Joga uns dados com um, vai lá e joga mais uns com o outro. Vai acabar fechando com o PMDB, como já está quase certo, até porque herda a prefeitura de Porto Alegre, à qual o peemedebista José Fogaça vai renunciar para se candidatar ao governo do estado, deixando o posto de brinde para José Fortunatti, ex-PT, atual PDT. Mas namorou por bastante tempo a ideia de apoiar a candidatura de Tarso Genro, do PT. O objetivo de toda a negociação era ver com qual dos dois apoios o PDT sairia com mais vantagens. Em nenhum momento se cogitou analisar projetos e estabelecer uma afinidade ideológica.

Assim, a política brasileira é uma confusão de siglas, nomes, alianças. Um partido pode ter uma postura completamente diferente em dois estados ou em nível federal. Chega a ser quase maldade pedir para o leitor lembrar em quem votou na última eleição, apesar de isso ser bastante importante.

E dá pra levar a sério uma coisa dessas?

PMDB, PT, PDT e a negociação de apoios no RS

Fogaça e Tarso: os dois pesos e duas medidas de Zero Hora

O PMDB está fechando aliança com o PDT para a disputa para o governo do Rio Grande do Sul. O partido de Brizola exige indicar o vice, e parece que o PMDB vai ceder. Pudera, é uma força ainda importante no estado, e que dá tempo de televisão, disputada tanto pelos correligionários de Pedro Simon quanto pelo PT.

Mas, segundo a Zero Hora, o PT está sondando Fogaça para aceitar Dilma em seu palanque, como parte da base aliada do governo. O irônico da coisa toda é que o jornal diz que Tarso fica “engessado” com a possível aceitação dessa proposta por parte do PMDB. A página 6 de hoje, dia 9, diz que ele ficaria com menos espaço para criticar o governo de Fogaça na prefeitura de Porto Alegre, porque o prefeito faria parte da base aliada do partido de Tarso etc. e tal, e o petista teria que cuidar para “não abalar a aliança nacional PT-PMDB”.

A parte divertida é que o jornal não diz que Fogaça ficaria ainda mais engessado que Tarso, que ele também tem que se preocupar com a aliança nacional. Nem se cogita avaliar o quadro a partir desse ponto de vista. Mas é só pensar um pouco. Fogaça é que estaria apoiando o PT, e não PT apoiando Fogaça, o que faz com que seja bem complicado pra ele falar mal do partido de Lula. Tarso ficaria um pouco melindrado, mas Fogaça estaria em uma situação muito mais complicada, em que cada crítica ao adversário soaria contraditória.

Bacana é ver o jornal gaúcho nem lembrar desse lado da questão. E ainda dizer que quem sairia ganhando com a situação seria Yeda, que não teria ninguém para dividir o apoio de Serra. Bom, eu gostaria de saber em que aspectos ter o apoio de Serra soa positivo para algum candidato. É o maior índice de rejeição do estado recebendo as bênçãos do candidato a presidente que só cai nas pesquisas e que é associado a Fernando Henrique Cardoso, hoje um nome quase maldito no PSDB e na política nacional.

Interessante a abordagem da Zero Hora. No mínimo criativa.

Fogaça e Tarso: os dois pesos e duas medidas de Zero Hora

Politicagem gaúcha

Ok, tudo mudou desde que eu comecei a escrever esse post até agora. Tinha lido sobre isso não faz muito tempo, mas agora o Rigotto me boicotou e não vale mais o que eu dizia. Quer dizer, em parte ainda vale. A politicagem continua, com a diferença de que agora Rigotto está fora da disputa (medo de perder e afundar sua carreira política?). Vou manter quase igual o que eu tinha escrito, onde explico melhor o que estou querendo dizer. Lá vai:

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O PMDB gaúcho lembra um pouco o PSDB nacional, nessa indecisão pelos seus candidatos nas próximas eleições. Apesar disso, a situação do PMDB no estado não é tão delicada. Enquanto o Serra vai se encalacrando ao deixar o tempo passar e não fazer nada, Fogaça não perde tanto caso não saia candidato.

O PDT aparece como fator importante na decisão do partido. Também em cima do muro, sem saber se vai com PT ou PMDB. No caso de Fogaça se candidatar (agora aparentemente decidido), o mais óbvio seria o apoio ao atual prefeito, não apenas pelas alianças já construídas na prefeitura, mas porque o vice-prefeito, José Fortunatti, do PDT (ex-PT), herdaria o cargo. Com a indicação de Rigotto ao governo do estado (descartada hoje à tarde), nada garante que os trabalhistas não retomem a velha aliança com o PT.

Como se vê nessa mistura de letras dos partidos que compõem o que vai ser o principal foco do jogo político no RS, a coisa aqui passa longe da ideologia. O Rio Grande do Sul vai perdendo a intensidade da polarização que o caracteriza. O PT e o PMDB já não são mais tão inimigos, as conversas vão sendo ditas nas entrelinhas, não se fala mais abertamente que não se concorda com fulano ou sicrano. Vai ficando tudo muito nebuloso e parecido.

Na matéria da Zero Hora sobre o assunto, na edição de hoje, dia 26, o presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan, diz: “Rigotto é menos competitivo do que Fogaça. Nesse caso, há bem menos chances de nos aliarmos ao PMDB. Não é nada pessoal, mas é uma questão política”. Ou seja, pouco importa que Rigotto (ou Fogaça) esteja de um lado da corda e que Tarso esteja do outro, representando visões opostas (ou nem tanto). O PDT vai junto de quem puxar mais forte.

E Fortunatti ainda tem a cara de pau de dizer: “Tenho uma visão ética da política”. Deve ter errado o termo, apenas. Em vez de política, quis dizer politicagem. Ah bom.

Enquanto isso…

No PSDB consolida-se a candidatura da governadora Yeda Crusius à reeleição. Com sua reputação praticamente ilibada (cof cof), pode-se dizer que assim vamos bem, hein…

Politicagem gaúcha