Em protesto contra a censura na rede

Sabe toda aquela história de que a China restringe o acesso à internet, que o Irã não permite a liberdade de expressão na rede etc.? E se no lugar desses países estivesse os Estados Unidos, como seria o discurso? Pois estamos quase pagando para ver, com o Stop Online Piracy Act, o SOPA, uma lei antipirataria um tanto quanto rigorosa demais, ao coibir práticas de troca cultural e, na prática, censurar a web.

É por isso que hoje talvez tenhamos dificuldade de acessar alguns dos nossos sites preferidos. A campanha contra o SOPA inclui retirar do ar seu blog ou site entre as 8h e as 20h de hoje. O Somos Andando apoia a campanha e só continua com conteúdo disponível por inviabilidade técnica.

Informações bem mais detalhadas podem ser encontradas no Sul21 e no MegaNÃO.

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Em protesto contra a censura na rede

Transformações e desafios na luta pela terra – parte 2

A luta deve continuar, e é fundamental que ela se dê. Não faz sentido importar trigo e feijão se temos terra para plantar. Não é negócio tirar o homem do campo se os limites das cidades já estão quase esgotados. Manter o trabalhador no campo é mais barato para o governo e melhor para o país. Com incentivo à agricultura familiar, teremos maior distribuição de renda e produtos de mais qualidade na mesa dos brasileiros. Mas é preciso manter o trabalhador no campo com dignidade.

Condições dignas para o colono

A área rural enfrenta problemas de acesso à educação: uma das dificuldades das escolas do meio rural é a falta de alunos, que faz com que seja mais difícil manter sua estrutura. Para isso, contribui o êxodo rural e a queda da natalidade. Não é mais possível conceber hoje a falta de internet como meio de acesso à cultura e à educação. Muitos municípios sequer têm sinal de telefone, tornando impossível para o trabalhador ter internet, que exige ainda o investimento em computador e a mensalidade da banda larga. Além disso, é preciso garantir saúde pública de qualidade, condições sanitárias, infraestrutura – o Rio Grande do Sul ainda tem 106 municípios sem acesso asfáltico, por exemplo.

Por isso, é importante que os movimentos sociais encontrem um caminho de renovação e tenham nos governos aliados. Uma coisa depende da outra, daí a dificuldade. A execução da reforma agrária pelo governo é fundamental para que os trabalhadores não desistam da vida no campo e não acabem mudando de vez para a cidade antes de ver sua terra conquistada, abandonando a luta. Ao mesmo tempo, é preciso que os movimentos pressionem o governo para fazer um contrapeso às pressões exercidas pelos ruralistas, que, por serem muito maiores (apesar de muito menos), são muito poderosos. E o fato de o governo ser um eterno aliado dos movimentos sociais não é motivo para abrandar a luta, muito pelo contrário – é só dar uma breve espiada nos números do governo Lula para comprovar isso. É preciso fornecer subsídios para que a presidenta Dilma consiga colocar em prática uma política que efetivamente traga resultados no setor.

Equalizar a balança não é tarefa simples. É o desafio imposto hoje aos movimentos sociais e a luta pela reforma agrária e pela dignidade da vida no campo.

Leia aqui a primeira parte.

Transformações e desafios na luta pela terra – parte 2

Encontre o amor em quatro minutos

Meu lado consumista aliado ao meu lado pão-duro me fizeram a sacanagem de me meter nesses sites de compras coletivas. Nunca fui engambelada, eles funcionam que é uma maravilha, mas enchem de dívidas.

Recentemente tenho recebido de vários deles uma oferta parecida e eis que descubro o “speed dating”. Já tinha visto alguma coisa assim em filmes, mas achava que era aquele tipo de coisa que só se vê em filmes. E olha que tem. Em Porto Alegre!

O que é Speed Dating?

Em tradução literal, “Encontros rápidos”. É descrito assim:

“O Speed Dating é um conceito de encontros “a alta velocidade” organizados com o objetivo de criar amizades ou, preferencialmente, encontrar a cara metade…”

O desafio é “encontrar a cara metade” em “encontros rápidos”, mas se não fosse possível – ou se não tivesse uma cambada de gente acreditando que é possível – o negócio não sairia dos Estados Unidos, não ganharia o mundo e não chegaria até essa capital provinciana dos pampas, no Sul do Brasil.

E como funciona?

De novo, recorro às explicações do site:

“Cada participante tem a possibilidade de conhecer entre 10 a 15 pessoas do sexo oposto. Terá então cerca de 4 minutos para conversar cara-a-cara com cada uma dessas pessoas e decidir se deseja ou não manter o contato futuro com quem acabou de conversar.”

Ou seja, encontre sua cara-metade em três dias quatro minutos. Gente, 4 minutos. Quatro! Um mais um mais um mais um. Quatro. Piscou o olho e acabou. Conheceu a cara metade? Se não conheceu, babau, pula pra outro.

“Se houver um interesse mútuo entre dois participantes, forneceremos a ambos os contatos de cada um.”

Interesse mútuo… Em menos de cinco minutos. É o tempo de fazer uma pipoca no microondas, um miojo. Menos que um banho rápido. Demora mais passar um lápis no olho do que conhecer a “cara metade”. Até conseguir falar com um atendente da NET pra fazer uma reclamação já deu pra conhecer uns 20 caras. E decidir qual deles vai ser o maridão.

E o negócio tem critério:

“Os grupos são formados por faixa etária: 21-35 anos, 36-45 anos.”

Ah bom! Se eu gosto de coroa ou de gurizinho, dancei.

Aliás, queria saber se eles promovem encontros entre pessoas do mesmo sexo.

“O preço para a inscrição é de R$ 50,00” (mas com desconto sai R$ 19,50!) “e inclui participação e jantar, exceto bebidas.”

Ou seja, vou conhecer minha cara metade correndo, tendo que decidir tudo em instantes (librianos deviam ter mais tempo…) e ainda pagar uma grana.

Estaria enganada ou é a mercantilização do amor?

Encontre o amor em quatro minutos

Internet e a transparência das instituições democráticas

A internet como alternativa de transparência. O Cidades e Soluções desta semana, na GloboNews, levantou essa possibilidade de utilização da rede. É interessante porque ela permite uma análise da internet não só do ponto de vista da comunicação e do acesso principalmente à produção de conteúdo. Ela se torna também uma ferramenta para disponibilizar dados importantes do ponto de vista da democracia. Utiliza meios novos para fortalecer um sistema de democracia tradicional.

O que quero dizer é que a internet aparece para a comunicação como uma porta aberta para que setores da sociedade que não encontram espaço na grande mídia tenham onde se expressar, produzam seu próprio conteúdo, e fortalece a democracia a partir do momento em que mais gente ganha voz. Mas fortalece também o sistema democrático que já conhecemos há tempos, as instituições parlamentares, o Executivo. Sites como o Transparência Brasil, dirigido por Cláudio Weber Abramo – com destaque para o coordenador de projetos, o jornalista Fabiano Angélico -, apresentam dados para que o internauta consiga interpretar o cenário político brasileiro a partir da atuação de cada um de seus membros, e daí fazer sua escolha na hora de votar.

A rede aparece, então, como um espaço importante de acesso a dados, não só de produção de conteúdo. Pode-se, na internet, descobrir coisas que nos tempos de papel seriam muito complicadas, exigiram muita pesquisa e dedicação, como a ficha corrida de cada deputado. No Excelências, hospedado no Transparência Brasil, é possível descobrir processos contra o parlamentar, os projetos que apresentou, sua assiduidade etc. E o Transparência vai muito além: clipagem de notícias de jornal relevantes, acompanhamento de licitações, monitoramento do desempenho dos ministros do STF, financiamento eleitoral. Tudo está a um clique, hospedado no site.

Recomendo uma circulada pelo conteúdo do Transparência Brasil, aproveitando para louvar a iniciativa de quem o cria e o mantém. É possível, além de conhecer a atividade parlamentar de cada deputado, ter acesso a um relatório geral do nosso parlamento, por exemplo.

Mas o que me motiva a escrever a respeito é a fascinação que me causam os meios digitais. Sei que tudo isso só é possível porque temos uma rede mundial de computadores livre. E porque há pessoas interessadas em usar essas ferramentas que nos estão disponíveis para fortalecer a nossa democracia. Para quem previa que a internet continuaria a concentração de poder dos meios de comunicação, essa é uma prova de que, apesar de a audiência dos grandes portais ser absurdamente maior que a de blogs de esquerda, há espaço para iniciativas produtivas, democráticas.

Internet e a transparência das instituições democráticas

Como seria o 11 de setembro em 2010

Pra começar, o boato chegaria na internet antes do ataque às Torres Gêmeas acontecer. Talvez até o impedisse, talvez não. É possível que, se os aviões chegassem a se chocar com os prédios, o governo americano ficasse desmoralizado por não ter feito nada concreto diante das informações que já circulavam na rede. Talvez se tivessem mais informações que permitissem diminuir a especulação sobre supostos culpados, sobre a participação americana, naquela teoria de que os Estados Unidos precisavam de um pretexto para invadir o Oriente Médio. Especulações.

A internet e a TV

Mas é possível tirar certezas também. Fato é que acompanharíamos muito mais pela internet do que pela televisão. Hoje parece até absurdo pensar em acompanhar um acontecimento importante exclusivamente pela telona. Inclusive a telona seria muito mais ona, e as imagens teriam mais impacto aparecendo com maior resolução e tamanho.

Os celulares

Teríamos muito mais informações. Veríamos o interior dos prédios, a reação de quem estava lá dentro, a tentativa de compreensão do que se passava, o desespero. Tudo isso através dos vídeos enviados pelos celulares que gravam imagens em boa qualidade e têm acesso à internet. As famílias receberiam seus recados dos parentes, a comoção seria maior, até porque veríamos mais do caráter humano da coisa.

As redes sociais

Saberíamos tudo o que acontece lá dentro através de constantes tuitadas. Como o World Trade Center era um lugar de gente endinheirada, não seriam poucos os com iPhones e BlackBarries dando notícias o tempo todo. O Twitter e o Facebook seriam algumas das principais fontes de informação. Do jeito que as coisas andam ultimamente, quando o limite entre o mundo real e o virtual é tênue e as pessoas não sabem bem se estão conversando com alguém ao vivo ou através de uma tela, se seu mundo é dentro ou fora de um computador ou celular, não duvido que muitos estariam morrendo e tirando fotos e tuitando.

As consequências

Em suma, o 11 de setembro de 2001, em 2010 seria um dia transbordante de informações, que poderia ter consequências muito diferentes das de nove anos atrás. Não só saberíamos melhor o que aconteceu, mas as medidas decorrentes do fato poderiam ser outras, e aí está a grande diferença.

A velocidade

Isso tudo só para se ter uma ideia do quanto as coisas mudam em menos de uma década. E as mudanças acontecem de forma cada vez mais rápida. Não duvido que daqui a alguns anos, a quantidade de mudanças dessa última década aconteça em um ano apenas. Onde isso vai parar, não sei. Um dia a gente explode, talvez.

Como seria o 11 de setembro em 2010

Resistência à mídia conservadora: “América Latina ainda é basicamente audiovisual”

As iniciativas estatais em televisão, que não necessariamente são chapa-branca, são uma opção para fugir da pressão conservadora da mídia. A opinião é do jornalista Mário Augusto Jakobskind, que lançou o livro A América que não está na mídia essa semana em Porto Alegre e Pelotas (aqui o primeiro post sobre o lançamento) e louvou a criação da TV Brasil. “Seu mérito não é o enfrentamento, mas abrir um canal para sair da mesmice”, e afirma que um governo tucano será um retrocesso no incipiente processo da TV pública brasileira.

Não deu pra evitar a pergunta: e a internet? É uma alternativa de resistência? Jakobskind acha que sim, mas não se empolgou muito na resposta. Acha que ainda é uma faixa restrita, porque, embora 60 milhões de pessoas tenham acesso a ela de alguma forma, os mesmos grupos que controlam o resto da comunicação também controlam a internet. Isso sem contar que a “América Latina é uma região basicamente audiovisual”, ou seja, a resistência ainda se dá prioritariamente na radiodifusão.

Por fim, um tema polêmico, o diploma. Jakobskind defende a exigência, por um motivo: “não se exigir vai fazer com que o patronato dê mais as caras, através da desregulamentação, uma exigência do neoliberalismo para todas as profissões”. Mas ressalva que isso não garante a qualidade do conteúdo produzido.

A luta pela democratização na comunicação, por abrir espaços na mídia conservadora, é uma batalha de todos os cidadãos, para o jornalista. “Sem isso, vamos morrer na praia e ficar sempre sob controle do capital.”

Resistência à mídia conservadora: “América Latina ainda é basicamente audiovisual”