Uma mistura de complexo de vira-latas com preconceito de classe

Da Página 10 da Zero Hora de hoje (24):

“Uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo estima que o ex-presidente Lula ganhará cerca de R$ 200 mil por palestra e que Fernando Henrique Cardoso ganha R$ 90 mil.

A dúvida é o tamanho da demanda para conferências de custo tão elevado – no caso de Lula, equivalente ao que cobram o ex-presidente americano Bill Clinton e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.”

Façam suas apostas: Lula não tem a mesma demanda que Bill Clinton e Tony Blair porque eles são se países superavançados e superiores a nós, terceiro-mundistas, ou porque Lula é apenas um operário e não um intelectual cheio de títulos acadêmicos e livros escritos para mandar os eleitores esquecerem?

Desculpa decepcionar, mas o presidente do país que cresceu e tirou 24 milhões da miséria e elevou outros 31 milhões à classe média enquanto as superpotências afundavam em uma crise econômica internacional é que é o cara.

Uma mistura de complexo de vira-latas com preconceito de classe

E agora, José?

Quando visitei o Parlamento Britânico, em 2007, além de quase ter que tirar a roupa pra conseguir entrar, outra coisa me chocou. Tinha cadeiras de um lado, cadeiras de outro e um espaço no meio. Veio a explicação: os do partido de esquerda sentavam de um lado, os de direita do outro. Na hora pensei onde sentaria o PMDB se fosse no Brasil, mas isso são outros quinhentos.

Não explicaram quem eram os de esquerda. Os conservadores não tinha como ser. A “Terceira Via” trabalhista de Tony Blair e Gordon Brown? Tá bom, e o pessoal no Brasil reclama que o Lula não é de esquerda. Imagina se os britânicos conhecessem o PSTU.

Mas agora a pulga se instalou atrás da minha orelha (a direita): como vai ser daqui para a frente, com a existência de três partidos de peso na desacostumada Inglaterra? Onde sentarão os liberais-democratas?

A foto é da cerimônia de abertura do Parlamento. Da Reuters, pescada do Terra Brasil.

E agora, José?