Campanha de rádio e TV mal começa e já rola falcatrua

A lei manda que os meios de comunicação deem tratamento igual para todosos candidatos em qualquer eleição. Para isso, há diversas restrições a publicações durante o período eleitoral, que às vezes até podem prejudicar o trabalho jornalístico, mas isso não é assim por acaso. A gente sabe que muitos deles (pra não dizer quase todos) privilegiariam um dos concorrentes, de forma mais escancarada ou mais disfarçada.

E é para isso também que existe o horário eleitoral, que se diz gratuito, mas embute uma enorme isenção de impostos para todas as empresas que o veiculam, que são todas as emissoras de rádio e TV abertas, obrigatoriamente. Mas não é disso que eu quero falar. O fato é que nesta quinta de manhã, terceiro dia de campanha no rádio e na TV, as emissoras de rádio não passaram o programa do candidato à Prefeitura de Porto Alegre pelo PT, Adão Villaverde, de manhã cedo, e só não aconteceu o mesmo com a TV porque a coordenação de campanha do candidato foi correndo atrás e conseguiu reverter a situação (a campanha vai ao ar de manhã e no horário do almoço no rádio e, na TV, às 13h e à noite). Por incrível que possa parecer, a responsável por gerar o horário eleitoral gratuito no município é a RBS.

Houve todo um imbróglio ontem porque uma determinação judicial, a pedido do candidato José Fortunati, fez com que as candidaturas de Villa e Manuela D’Ávila tivessem que reenviar seus programas, porque os candidatos da proporcional não poderiam pedir voto pra majoritária. O prazo para entregar as propagandas (22h de ontem) foi cumprido, segundo o coordenador da campanha, Gerson Almeida, como cansamos de ver nas redes sociais ao longo do dia. Uma nota assinada por ele falava em perplexidade e indignação. À tarde, a assessoria da RBS disse ao Sul21 que havia ocorrido um erro técnico. O engraçado é que erraram só em uma propaganda…

E, como bem disse o coordenador de comunicação da campanha da Frente Popular, Antonio Castro, ao portal Terra é função da Justiça decidir se há alguma irregularidade em qualquer propaganda, não cabendo à emissora fazer qualquer julgamento.

A Justiça Eleitoral acolheu a representação feita pelo PT, e as emissoras vão ter que exibir o programa que teria ido ao ar hoje no sábado, dia 25, depois do horário eleitoral. Horário bem esdrúxulo, de muito menor audiência do que numa quinta-feira, mas vá lá. Vale mesmo é o reconhecimento de que o “erro” foi cometido pela emissora e não pela coordenação da campanha, explicitando as intenções de todos os envolvidos na história.

Essa falcatrua não vai decidir a eleição (ainda bem!), mas é uma boa mostra do que vem pela frente. O jogo eleitoral nunca é fácil, tem enormes problemas (e pra isso a gente precisa de uma reforma política urgente), que já fazem com que ele não seja necessariamente justo, mas ele pode ser mais ou menos sujo. A última eleição presidencial foi das mais imundas que já se viu, com o candidato de oposição pegando bem pesado, com o apoio maciço da grande mídia. Agora a eleição é municipal, bem menor, mas muito importante – eu diria fundamental! E no terceiro dia já rola puxada de tapete. Atentemos.

Anúncios
Campanha de rádio e TV mal começa e já rola falcatrua

A ligação entre Serra e Mendes e a credibilidade do STF

– Repórter da Folha de S.Paulo presenciou a ligação de José Serra a Gilmar Mendes pouco tempo antes de o ministro pedir vista no julgamento sobre a obrigatoriedade de se apresentar dois documentos na hora de votar, recurso solicitado pelo PT. Segundo o repórter, um assessor do candidato fez a ligação e a passou para Serra, que saudou Gilmar Mendes com um “Meu presidente” ou algo do gênero e se retirou para falar de forma mais privada. A “coincidência” de em seguida Gilmar Mendes pedir vista e adiar o julgamento é no mínimo suspeita. Feio para Serra, mas mais feio ainda para Gilmar Mendes e a credibilidade do STF.

– Yeda Crusius arriscou. Arriscou e perdeu. No programa do meio-dia de ontem, usou o tempo dos deputados estaduais para fazer campanha para a majoritária – campanha bem baixa, diga-se, contra o MST, incitando o medo. Resultado: mais de dois minutos do programa da noite foi substituído pelo símbolo do TRE como punição. Sua última chance de aparecer na TV e tentar levar a candidatura para o segundo turno foi desperdiçada, portanto. Bem feito.

– Enquanto isso, o programa de Tarso deu um banho. Emocionante, para conquistar os últimos votos de indecisos. Foi, em resumo, um programa de candidatura vitoriosa. Pelo menos foi a sensação que transmitiu.

– A audiência do debate da RBS terça-feira à noite, com os candidatos ao governo do estado, superou a média de audiência das terças-feiras. Surpreendente. (informação de Rosane de Oliveira na Rádio Gaúcha)

A ligação entre Serra e Mendes e a credibilidade do STF

Vice de Fogaça está entre os possíveis ficha-suja do RS

Lembra dos cristais do cérebro do presidente da Assembleia Legislativa do RS, Giovani Cherini (PDT)? Aquele deputado simpático, que defende uma “visão holística” de mundo, que parece bem intencionado, está na lista das candidaturas impugnadas pela Procuradoria Regional Eleitoral do RS. Corre o risco de não alçar voos mais altos, como pretendia. A campanha a deputado federal fica no aguardo.

Mais grave ainda, do ponto de vista de representatividade do cargo ao qual concorre, é a possível impugnação do vice na chapa de José Fogaça ao governo do estado. O ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça, do PMDB, que largou a administração municipal na metade do segundo mandato, tem-se mostrado orgulhoso da coligação que lutou arduamente para conseguir, com o mesmo PDT de Cherini (o primeiro dos sob suspeita citados). Pois escolheu mal o seu vice e corre o risco de ter de riscar o nome de Pompeo de Mattos da cédula. Fica feio, já no meio da campanha, mas quando a política é feita por interesses e não por afinidade político-ideológica, correm-se riscos.

Não é só Fogaça a registrar esse mal. A política interesseira, chamada já afetuosamente de politicagem, tem dessas coisas. Ela é bem ampla, atinge praticamente todos os médios e grandes partidos. Está presente na maioria das coligações, em tudo que é estado, em praticamente qualquer nível. No caso de Fogaça, talvez ele tivesse continuado apostando em Pompeo. Aliás, como de fato continuou, pois não é segredo o envolvimento do candidato (?) a vice com albergues ilegais, utilizados para captar votos (coisa feia!), o mesmo mal de Cherini.

E assim vai-se levando. Outro nome dos candidatos mais graúdos a ser colocado na berlinda e ver sua candidatura ameaçada é o petista Daniel Bordignon. Esse por causa das contas de quando foi prefeito de Gravataí, que não fecharam. Aliás, por ridículos R$ 6 mil, que, se para mim fariam toda a diferença, em campanhas políticas desse nível são uma miséria.

Duvido que a coisa vá longe. Aliás, pago pra ver. Saberemos no dia 19 de agosto, quando encerra o prazo do TRE para julgar os recursos. Mas interesses poderosos estão em jogo, principalmente no caso de Pompeo. Que, como bem lembra Marco Weissheimer, é vice de um candidato do PMDB, o mesmo partido do senador Pedro Simon, enfático defensor da lei que agora ameaça minar as pretensões de Fogaça. O mundo dá voltas…

—————–

A lista completa dos 28 candidatos cuja candidatura é contestada, puxada da Zero Hora:

Ausência de quitação eleitoral
André Bittencourt (PMN), candidato a deputado federal
Antonio Carlos Machado (PTB), candidato a deputado estadual
Flavio Luiz Silva de Souza (PDT), candidato a deputado federal
Jeovane Weber Contreira (PPS), candidato a deputado federal
João Eduardo Quevedo Reymunde (PTB), candidato a deputado federal
Jorge Luiz Drumm (PSDB), candidato a deputado estadual
Jorge Romeu Fonseca da Silva (PV), primeiro suplente de senador
José Oseas da Costa (PTB), candidato a deputado estadual
Luiz Filipe Vieira Correa de Oliveira (PV), candidato a deputado estadual
Mauro Pereira (PMDB), candidato a deputado federal
Ricardo Guimarães Moura (PSDB), candidato a deputado federal
Vera Beatriz Soares (PT), candidato a deputado estadual
Vilson Fernando Xavier (PTC), candidato a deputado federal

Rejeição de contas de gestores públicos
Claudio Jose de Souza Sebenelo (PSDB), suplente de vereador da Capital e candidato a deputado estadual
Daniel Bordignon (PT), deputado estadual e candidato à reeleição
Luiz Carlos dos Santos Olympio Mello (PSDB), apresentador de TV e candidato a deputado estadual
José Francisco Ferreira da Luz (DEM), candidato a deputado federal
Luiz Carlos Tramontini (PP), candidato a deputado federal
Luiz Carlos Repiso Riela (PTB), candidato a deputado federal

Abuso do poder econômico com sentença de inelegibilidade
Adroaldo Loureiro (PDT), deputado estadual e candidato à reeleição
Aloísio Classmann (PTB), deputado estadual e candidato à reeleição
Gerson Burmann (PDT), deputado estadual e candidato à reeleição
Giovani Cherini (PDT), presidente da Assembleia e candidato a deputado federal
Pompeo de Mattos (PDT), deputado federal e candidato a vice-governador

Condenação por improbidade administrativa
Reinaldo Antônio Nicola (PDT), candidato a deputado estadual
Sérgio Moraes (PTB), deputado federal e candidato à reeleição

Condenação criminal em decisão colegiada
Adão Moacir Gegler (PTC), candidato a deputado estadual

Demissão do serviço público
Simone Janson Nejar (PTB), ex-servidora do Tribunal de Justiça e candidata a deputada estadual

Fontes: Procuradoria Regional Eleitoral e TSE

Vice de Fogaça está entre os possíveis ficha-suja do RS