Juremir: Dilma contra meio mundo

Juremir Machado da Silva acertou a mão. Texto publicado no dia 01/11 no Correio do Povo:

Dilma venceu o preconceito.
Superou o machismo, o reacionarismo e o moralismo barato.
O PSDB adotou o discurso do DEM e se quebrou.
Agora, passada a eleição, Índio já pode sair de costas e voltar para o anonimato.
Foi um das figuras mais patéticas da cena pública brasileira dos últimos anos.
Os especialistas tucanos erraram em tudo.
Disseram que Dilma tomaria surras nos debates.
Que Serra estava mais preparado.
Que Serra ganharia no primeiro turno.
Os tucanos pretendiam-se modernos, racionais e equilibrados.
Acabaram na vala comum dos impropérios contra a guerrilheira e terrorista.
Baixam o nível ao subterrâneo.
Bradaram contra o comunismo como velhos macartistas.
Resvalaram para a carolice sem qualquer pudor.
Derrotados, só lhes resta tratar os nordestinos como subeleitores.
O PMDB gaúcho apanhou de relho.
Praticou escandalosamente infidelidade partidária.
Mendes Ribeiro Filho teve de pedir licença para ser fiel ao seu partido.
Apostou no cavalo certo e ganhou.
A bancada parlamentar do PMDB gaúcho queria, em geral, manter o Rio Grande do
Sul na oposição.
O PMDB é o partido raposa, sempre dissimulando e montando estratégias para enrolar o eleitor. Anda sempre dividido para terminar unido no poder. Um parte acusa a outra de fisiologismo, mas não dispensa os cargos.
Foi a campanha da hipocrisia; quem é o DEM, o do mensalão da Brasília, para pregar moral?
Quem é o PMDB para criticar o aparelhamento do Estado?
A imagem da campanha é uma só: Lula de corpo e alma dentro dela.
FHC meio de lado, tentando não prejudicar demais com sua presença.
A revista Veja e o jornal Estadão tentaram de tudo para derrubar Dilma.
Vão continuar tentando.
Enquanto isso, Serra está experimentando seu pijama.
E tem muito colunista babando de ódio.

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Juremir: Dilma contra meio mundo

A campanha de Veja: esperada, mas esdrúxula

Mais esdrúxula do que a campanha descarada da Veja dessa semana pelo Serra é a tarja com os outros assuntos da revista que aparece no alto da capa. Juro, seria menos vergonhoso, menos ridículo se não tivesse aquela menção a Dilma.

Todo o mundo já sabe que a revista defende a candidatura Serra. Quem não sabia, desculpa, mas era muito tapado. E se continua achando a revista neutra depois dessa capa, é no mínimo prejudicado intelectualmente. Ou possui tanta má fé quanto a própria Veja. É impossível não ver a defesa descarada do candidato. Na verdade não diz “Serra para presidente” porque não se faz necessário. O resto da capa já diz isso, e de uma forma mais simpática ao leitor elitizado, perfil da publicação.

Mas bem que podia vir com o timbre do PSDB e se chamar “Programa de governo”, “Estratégias de campanha”, qualquer coisa assim. Isso sem contar que o tal panfleto a tal revista que diz que faz jornalismo já considera Serra eleito. “Serra e o Brasil pós-Lula.” Ou é uma prece, um pedido aos deuses para que o ex-governador paulista se eleja ou é uma constatação. Se for a primeira, é só ridículo. Se for a segunda, assusta, lembra tentativas de golpe que já vimos por aí. Ou então, há a hipótese de que, mesmo a Veja tendo assumido que Serra já está eleito, seja só uma quase inacreditável ingenuidade de quem só vê o quer. Uma ingenuidade nada ingênua, antes macabra.

Independente da alternativa escolhida, uma coisa é certa: a Veja conclama seus leitores a votarem no tucano. Descaradamente.

Nada além do esperado. Mas que nem por isso deixa de ser estapafúrdio.

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Parece que a Veja anda lendo o Blog do Luis Nassif. Se ela já não praticasse esse tipo de jornalismo há tanto tempo, diria que tinha tirado as ideias desse post, um manual do neojornalismo.

A campanha de Veja: esperada, mas esdrúxula