Não há o que justifique Novais e Jobim

Não há necessidade de composição política, de coalizão, que justifique a manutenção de Pedro Novais no ministério de Dilma. E muito menos de Nelson Jobim. Se Novais, anunciado ministro do Turismo, é moralmente inaceitável, o ministro da Defesa é um equívoco estratégico, que chega a pôr em risco a área mais bem sucedida do governo Lula, a política externa.

Com relação a Novais, o dinheiro da Câmara – público, de todos – gasto em um motel não vai por si fazer falta ao orçamento da União ou do Congresso, mas desmoraliza o governo e lhe tira crédito, tornando as coisas mais difíceis e envergonhando o cidadão. O problema é duplo: o mal-estar que se cria em torno do governo Dilma e a descrença de cada brasileiro, que se sente enganado.

E convenhamos, se o PMDB não tem nome melhor para indicar, a coisa está realmente feia. Tanto no partido quanto na sociedade, que lhe confere tantos cargos.

O caso de Jobim é ainda pior. O repasse de informações sigilosas ao governo norte-americano e a defesa de uma política externa nitidamente contrária à adotada pelo governo federal são elementos que atingem também a moral, mas não só. Jobim prejudica a estratégia de ação do governo na articulação com o resto do mundo. Um ministro não-confiável com esse poder todo é um risco constante.

Não há o que justifique Novais e Jobim

Porto Alegre largada às traças

Parece uma matéria de menor importância, que não trata diretamente de política, que não afeta a vida da população. Mas a página 41 da Zero Hora de hoje (09) esconde em suas linhas uma constatação no mínimo desagradável para os porto-alegrenses: a cidade não investe mais em si mesma. Quer dizer, a administração municipal é omissa.

Explico melhor. O texto é sobre turismo. Quem fornece os dados são pessoas que passaram por Porto Alegre e provavelmente não têm identificação com governos daqui. Ou seja, teoricamente mais isentas na análise. O objetivo era coletar dados, avaliar a percepção dos turistas para melhorar a recepção para a Copa do Mundo de 2014.

Três pontos foram destacados como os que receberam notas mais altas e três com as mais baixas. A hospitalidade, a hospedagem e principalmente a oferta de gastronomia pularam na frente. Já segurança pública, limpeza pública e sinalização urbana ficaram com notas bem baixas: médias de 2,6, 2,7 e 2,7, respectivamente, em índices de 1 a 4. A gastronomia, por exemplo, obteve 3,4.

O que se constata dessa avaliação é que a parte privada está ok. Os investidores não são bobos e se esforçam para oferecer o melhor serviço. Se não o fizerem, perdem seu lucro. O que tem de ruim em Porto Alegre é de responsabilidade da administração pública, a Prefeitura (hoje nas mãos de José Fortunati, recém herdada de José Fogaça, o candidato a governador pelo PMDB).

Como a administração pública não lida com lucro, mas com bem-estar, sua ineficiência não é sentida da mesma forma capitalista. Com a grana dos impostos já em mãos – os quais os cidadãos não têm a opção de não pagar -, os governos podem decidir o que fazer com ela. No caso de Porto Alegre, decidiu-se não investir na cidade e no bem-estar da população. Simples assim.

Mas só enxerga quem lê com atenção. Um desavisado cai no conto do vigário e acredita que é tudo a mesma coisa. Todos os investimentos são da cidade, mas nada a ver com a vida cotidiana. Turismo, afinal de contas, é bom, mas é secundário. Só que o que é apontado como problema pelos turistas não só os afasta, mas são situações enfrentadas todos os dias pelos porto-alegrenses. Isso a Zero Hora se furta de comentar.

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Charge do Kayser.

Porto Alegre largada às traças

Da série "se me contassem eu não acreditava"

Porto Alegre nunca teve uma vocação turística muito forte. Nunca teve incentivo, é verdade. Mas agora tem.

Que tal uma caminhada pelos… ahn… cemitérios da cidade? Divertido, não? Ô, pacas!

A Prefeitura está promovendo eventos para atrair cidadãos interessados em conhecer a capital do chimarrão, do pôr-do-sol, dos jacarandás, do Museu Iberê Camargo, do Margs, dos… mortos.

Pode-se reclamar de qualquer coisa da atual administração, menos de falta de criatividade. E é bom que a gente se sente estimulado em ver que finalmente um monte de estrangeiros vão visitar a nossa cidade. Com projetos desse tipo é bem capaz mesmo.

E é por conta disso que estou começando essa série, cujo único post previsto é esse, então talvez seja uma série de um elemento só. Mas não é por falta de material, que bizarrice tem às pencas por aí. Pelo menos nos próximos dois anos, se o Fortunati continuar no mesmo ritmo…

Da série "se me contassem eu não acreditava"