Grande Encontro Nacional de Geógrafos em Porto Alegre

Porto Alegre será sede, de 25 a 31 de julho, do maior encontro nacional de geógrafos de todos os tempos do Brasil. São esperados cinco mil profissionais, professores, acadêmicos e estudantes no XVI Encontro Nacional de Geógrafos – Crise, Práxis e Autonomia: Espaços de Resistência e de Esperança, superando o último encontro realizado em São Paulo, em julho de 2008. O evento é organizado pela Associação de Geógrafos Brasileira (AGB), que conta com uma seção em Porto Alegre (rua Uruguai, 35/426). O diálogo de abertura será no dia 25, a partir das 17h30min, na Casa do Gaúcho, no Parque Harmonia, com a presença do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos e da geógrafa da USP, Ana Fani. O artista popular gaúcho Pedro Munhoz fará uma apresentação musical na abertura.

Os estudantes que virão de todos estados do País serão alojados em quatro escolas da capital (Escola de Aplicação UFRGS, Inácio Montanha, Padre Rambo e Emilio Meyer). Vários hotéis da rede hoteleira de Porto Alegre já estão lotados para o período do evento. O encontro de geógrafos terá espaços para apresentações de mais de três mil trabalhos acadêmicos inscritos, debates, plenárias, mesas redondas. Haverá saídas de campo, oficinas diversas, feiras de livros, produtos e alimentos, e uma programação cultural todos os dias.

Os debates sobre o atual momento da Geografia no Brasil e no mundo serão divididos em sete mesas redondas simultâneas – de 26 a 28 de julho — e contarão com a participação de geógrafos de todo Brasil, assim como a participação de coletivos e pessoas ligadas aos movimentos sociais. Os assuntos estão divididos em sete eixos:

Eixo 1: Formação e experiência: a práxis dos Geógrafos
Eixo 2: Escalas da Crise: fragmentação e totalidade
Eixo 3: Autonomia da Geografia e geografias das subversões
Eixo 4: Espaços de resistência e de insurreições
Eixo 5: Linguagens, representações, tecnologias e resistência
Eixo 6: A educação como instrumento de autonomia e liberdade
Eixo 7: Dinâmicas da natureza, processos de apropriação e suas contradições

O local do evento será o Campus Central da UFRGS, para maiores informações acesse: www.agb.org.br/xvieng/index.php ou http://eng-2010.blogspot.com. Ou pelos telefones:

AGB-PA: (51) 30198190
Lara Schmitt: (51)92926179
Sinthia Batista (51) 98440868

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Grande Encontro Nacional de Geógrafos em Porto Alegre

DCE da UFRGS será investigado por corrupção

Rodolfo Mohr, do Todas as Vozes:

Na segunda-feira, 31 de maio, acontecerá a primeira reunião da Comissão Estudantil de Investigação (CEI). Composta por 21 Centros e Diretórios Acadêmicos (CAs e DAs), a CEI terá como missão passar um pente fino na gestão do Diretório Central dos Estudantes (DCE), inundada por graves denúncias de corrupção. Marcel Van Hattem, diretor de Relações Institucionais da entidade e um dos principais denunciados, licenciou-se do cargo nesta sexta-feira, 28, para concorrer a Deputado Estadual pelo Partido Progressista.

A noite da quinta-feira, 27, já está gravada na história da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Representando mais de 20 mil estudantes, 29 CAs e DAs estiveram reunidos, na Faculdade de Economia, para ouvir as denúncias de corrupção contra a gestão do DCE realizada pelo ex-advogado da própria gestão Régis Antonio Coimbra.

Eram quase 19h quando começou o depoimento do advogado relatando a apropriação indébita de recursos financeiros pelo presidente Renan Arthur Pretto, estudante de Administração. Explicou em pormenores o desenrolar de uma série de conflitos internos que se sucederam após, segundo ele, Pretto, a mando de Marcel Van Hattem, retirar 5 mil reais do caixa do DCE. Trouxe à tona as ameaças sofridas pela vice-presidente Claudia Thompson e pelo tesoureiro Tiago Bonetti. Os atos de coação teriam sido, de acordo com suas palavras, realizadas por Van Hattem. Por fim, alegou que estes fatos devem levar à destituição da diretoria executiva.

A defesa do jovem Pretto não convenceu os demais representantes estudantis. O presidente do DCE alegou “inexperiência administrativa” quando “sacou o dinheiro do cofre da entidade”, por conta própria, “para pagar um fornecedor”. Porém, esse saque não foi registrado e a nota fiscal que comprova o pagamento, segundo Pretto, foi trazida à prestação de contas dias depois. Assim, assumiu ter ficado com dinheiro da gestão sob seu domínio, sem registro no livro-caixa. A atual gestão se elegeu sobre três princípios: apartidarismo, transparência de gestão e defesa da excelência acadêmica. A CEI apresentará ao final da sua primeira reunião ordinária seu calendário de trabalho e a data da entrega do relatório final.

DCE da UFRGS será investigado por corrupção

Azar pouco é bobagem

Como os meus poucos leitores já sabem, me formei jornalista no domingo que passou. O que o mundo já sabe é que foi a semana mais quente do século em Porto Alegre, que, por um dia, foi o lugar mais quente do planeta. A maioria também já tem conhecimento do fato que vou narrar, mas vamos a ele.

Era domingo. Na escolha da data da colação, que acontece por sorteio, alguns meses atrás, estávamos todos de blusas de lã. Lembro ainda que fui à reunião em que a comissão nos informaria do dia e do horário em que nos formaríamos com o meu casaco mais grosso e de manta. Naquele dia, pensei: “putz, se não bastasse ser num domingo, por si só um dia ruim pra eventos, ainda no meio da tarde no verão senegalês porto-alegrense”. Mas tá, me acostumei à ideia e a raiva inicial pelo azar passou. No fim, achei que o horário não era tão ruim assim, já que era domingo, a cerimônia seria longa e assim eu teria mais tempo para ficar com meus convidados na minha recepção.

O tempo passou. Chegou janeiro e outra questão passou a preocupar. Onde diabos arrumar cabelo e fazer maquiagem? Sim, completamente fútil, mas e daí? A questão foi resolvida por uma colega que arrumou um salão que topou abrir especialmente para nós. Ainda assim, ficou o medo de chegar atrasada, porque ela avisou que eles estavam super atucanados com a quantidade de formandas pra se arrumar. Mas não consegui outra opção, fui, cheguei antes do meu horário, fui atendida pontualmente, fiz cabelo, a maquiagem foi tri enrolada, mas ficou bacana, tudo certo. Até que alguém comentou: “parece que o ar do salão de atos não funcionou muito bem na formatura de ontem”.

É isso aí, caros leitores, o ar condicionado estragou. Lembram agora do que eu falei no início? Foi a semana mais quente do século em Porto Alegre. Eu e outros 62 formandos estávamos de toga – e isso inclui aquela roupa preta, mais uma espécie de capa por cima e um babado branco apertando meu pescoço, além do chapéu, que nem pra abanar servia – debaixo de muitas luzes. Eu sabia que luzes esquentavam, mas nunca na minha vida imaginaria que era tanto. Aliás, nunca vi tantos formandos levantarem e irem tomar um ar no meio da sua própria formatura. Inclusive eu, diga-se de passagem. Não é brincadeira, devia estar uns 50ºC ali dentro.

Já sei que a produtora se esforçou pra resolver o problema, ou pelo menos amenizá-lo, e não conseguiu. Dizem que a UFRGS também fez isso. Mas fica difícil de acreditar, considerando que o ar continua estragado e outras formaturas já foram realizadas na mesma situação. Meus colegas formandos pensam em enviar carta de protesto, avisar os jornais, abrir um processo, fazer um escândalo, tirar a roupa, dançar pelado – bem estilo Woodstock, tema da formatura -, mas é muita gente e a coisa está se enrolando.

Então, se não acontecer nada, deixo aqui um tímido mas registrado protesto. Estudei de graça, sim. E agradeço muito a sociedade brasileira por ter custeado a minha faculdade. Mas é um absurdo e uma falta de respeito o que a UFRGS fez comigo, meus colegas e meus convidados. Na formatura de sábado, soube de gente que passou mal. Eu tenho pressão baixa e quase passei também. Tive que ir em casa tomar banho antes da recepção. Tá, ninguém morreu, mas deu uma ligeira estragada na festa de muita gente.

No fim das contas, a recepção foi ótima, curti pacas e fiquei super feliz. Mas que a UFRGS me fudeu de início ao fim, ah, isso sim. Comecei pelo vestibular, com sensação térmica de 42ºC. Em seguida, o trote. Depois, o trote que sofri a cada professor que conheci – não todos, mas a maioria -, muito pior que aquele com tinta. Por fim, essa formatura com ar estragado. E eu que tinha ficado feliz que no vestibular desse ano – que fiz para Relações Internacionais mas não passei – estava fresquinho…

Azar pouco é bobagem

Prazer, Cris

Ontem falei um pouco sobre o que vai ser o blog. Agora, apresentar-me-ei.

Para quem ainda não me conhece, prazer, Cris. Na verdade Cristina Pasqualetto Rodrigues, mas esses acessórios todos são pouco usados. Minha história começou há 23 anos, em uma primavera de Brasília, quando meus pais e o acaso fizeram com que eu nascesse longe dos pampas. Mas enfim, essa parte não é tão fundamental agora, certo?

Esses mesmos de quem falei foram responsáveis não só pelo meu nascimento. Junto com mais uma cambada, fundaram, em 1980, um partido. Na época, era praticamente revolucionário, algo inédito na história do Brasil, porque começou por baixo, não pela elite. Era feito por trabalhadores, de onde veio o seu nome. Isso foi alguns anos antes daquele 1986 em que vim ao mundo, mas influenciou decisivamente na minha história. Pelo menos na minha forma de ver as coisas.

Pais de esquerda em famílias conservadoras são um luxo para poucos, e eu fui uma dessas felizardas. Hoje eles continuam bastante petistas. Eu, embora filiada desde os meus 16 anos, já mudei pacas a minha relação com o partido. Não fui para o PSOL nem desisti de acreditar em partido político. Tampouco continuo petista como antes. Digamos que tenho uma série de críticas ao PT e ao governo Lula – muitas mesmo -, mas reconheço que é o melhor governo que o Brasil já teve. E sim, me emociono junto com o Lula, sempre que ele chora. Mas isso talvez seja pelo fato de ser um metalúrgico que chegou lá, ou só porque eu sou uma boba mesmo.

De resto, essa ideologia toda que meus pais me passaram fizeram com que eu visse que o que eu leio nos jornais não é exatamente a verdade que eu vejo nas ruas. Nunca é a minha verdade que está naquelas páginas. É a de alguém, mas nunca a minha. Às vezes, só penso diferente dos que escrevem os textos. Às vezes, vejo que a coisa é feita de propósito mesmo, para manipular. E isso me levou ao jornalismo…

Depois de muito pensar e de um primeiro vestibular feito em quatro universidades para quatro cursos diferentes, entrei no tal do Jornalismo da UFRGS. Cinco anos depois, cá estou eu, recém formada. Digamos que as coisas são um pouco mais difíceis do que eu pensava. Primeiro, o curso, bem meia-boca, mas sobre ele eu falo outro dia. O que interessa nele agora é que ele desilude de tal forma seus alunos que muitos dos revolucionários que entraram pra Fabico saíram dela empregados na RBS. Não culpo ninguém, até porque eu saio desempregada e sem dinheiro no bolso, o que também não é solução, mas quero deixar uma pontinha de revolta para eles. Que, mesmo continuando onde estão, pelo menos enxerguem o que acontece. Que mantenham blogs, que pensem em alternativas.

Não é fácil, eu sei. Eu mesma não enxergo essas alternativas. Ou melhor, sei que elas existem, mantenho, junto com o também jornalista recém-formado Alexandre Haubrich um blog de análise de imprensa, o Jornalismo B, mas não ganho nada com isso. Não me sustento, não consigo me tornar independente com isso. Mas é uma luz.

Gostaria, agora, de sair por aí. Conhecer o mundo. Viver em outros lugares. Nada de dois dias em cada cidade. Uns dois anos em cada uma iam bem. Mas não tem coragem de sair a la loca. Preciso de segurança, de alguma coisa certa. De um emprego, um curso. Fora a falta de grana de ir estudar fora por conta, o medo de ir pra Europa sem emprego garantido. Se alguém souber de alguma coisa… Pode ser na Argentina, na Venezuela, no Paraguai…

E com isso, acho que apresento meu lado profissional e ideológico, meio por cima. Sei que a maioria dos que estão lendo já sabem disso tudo. Mas a prepotência impera, e cá estou eu escrevendo como se tivesse centenas de leitores que não me conhecem. Quem sabe um dia…

Prazer, Cris

Por que a esquerda perdeu o DCE da UFRGS

Depois de muito tempo tentando, a direita finalmente levou o DCE da UFRGS. O presidente eleito para a próxima gestão se chama Renan Pretto e pertence ao PP. O mais difícil de engolir nessa história toda é que a direita não ganhou apenas por sua competência. E afirmo que eles são muito competentes nas articulações políticas, e isso não tem nada a ver com ideologia – os que ganharam as eleições dessa semana são conservadores, reacionários, racistas, elitistas. O pior é que não foi simplesmente a direita que ganhou, foi a esquerda que perdeu.

A esquerda não só perdeu, a esquerda entregou. Por absoluta incompetência e dificuldade de diálogo. Parece absurdo, mas em uma universidade com o potencial da UFRGS, com tanta gente de qualidade, que pensa parecido em tantas coisas e tem boas ideias, havia uma chapa da direita e três da esquerda. Duas delas do PSOL. E não me venham com essa história de que DCE não tem que ser vinculado a partido, todas as chapas concorrentes têm seus vínculos partidários. Não apenas com os partidos, mas com suas tendências internas.

Aliás, que a chapa 3, a da direita, a eleita, é vinculada ao PP, embora seu slogan pregue o apartidarismo. Chega a fazer rir a Página 10 da Zero Hora de hoje, quando a Rosane de Oliveira, logo antes de falar na defesa de política apartidárias de Renan Pretto, apresenta a fala do deputado Jerônimo Goergen, do PP, que está “empolgadíssimo com o resultado”, segundo a jornalista: “Conseguimos derrotar o PT, o PCdoB e o PSOL. Este é um momento histórico”. Muito isento de política partidária.

E a esquerda, em vez de se unir por suas semelhanças, se divide por suas diferenças, muito menores do que as semelhanças. É a velha história: quando o debate se dá no campo ideológico, é muito mais complicado sustentar as afinidades. As desavenças gritam. Na direita, o que a une são os interesses classistas. E aí é muito mais fácil permanecer unido. E muito mais inteligente.

Então, o que fez com que a direita ganhasse, por uma diferença ridícula de 35 votos, foi essa fragmentação da esquerda, incapaz de se unir. Até uma tendência interna do PSOL rachou. O Enlace ficou metade na chapa 1 e metade na 2. Chega a dar raiva que gente tão inteligente e com propostas tão boas seja tão idiota nesse aspecto – perdoem as ofensas, mas estou realmente escrevendo com raiva desse resultado. Como a esquerda pode ser tão incapaz de dialogar? É burrice se dividir, não é óbvio?

Fica, no fim das contas, a esperança de que se aprenda alguma coisa com esse resultado.

Quando terminei de escrever o post, entrei no blog Cão Uivador e achei esse texto. As ideias são exatamente as mesmas, então indico a leitura

Por que a esquerda perdeu o DCE da UFRGS