Um pueblo llamado Salvador Allende

11 de setembro de 1973, um dia de superlativos. Foi quando um golpe derrubou o mais promissor governo socialista que já houve no mundo para instaurar a mais sangrenta das ditaduras latino-americanas.

Uma homenagem a Salvador Allende, que morreu em nome da utopia de transformar o seu país em um lugar melhor para todos os seus cidadãos. Nada mais justo que seja feita por Eduardo Galeano (em parte responsável pelo nome deste blog).

Via O Esquerdopata.

Um pueblo llamado Salvador Allende

Para que servem as utopias?

Em tempos em que conceitos como direita e esquerda são questionados constantemente e muitos dizem que há uma crise das ideologias, vale a pergunta: e as utopias, ainda existem?

Daniel Cohn-Bendit é do partido ecologista alemão, deputado do Parlamento Europeu e um dos líderes do movimento de 1968, e falou ontem à noite em Porto Alegre sobre utopias, as antigas e as novas. Elas existem, mas não são as mesmas.

“Esqueçam 1968!”, disse, porque não podemos nos deixar dominar por uma nostalgia, uma ideologização do passado, por mais bonito e importante que ele tenha sido. Mas isso não significa que as utopias deixaram de existir. “Não quero perder os sonhos.” Para ele, as utopias têm a função de nos mostrar que outro mundo é possível, que as coisas não vão ser sempre como elas são hoje.

Tendência totalitária versus democracia

As utopias são fortes, mas é preciso ver a força da realidade que está por trás delas. Como geralmente essa realidade não é enxergada, a tendência, na opinião de Cohn-Bendit é de que as utopias conduzam a regimes totalitários, até porque normalmente se quer uma sociedade radicalmente melhor, e logo. “Querer conquistar a liberdade a qualquer custo, na marra, é a grande armadilha das utopias.”

Por isso, ele defende até que saibamos lidar com a derrota. Sabe que o movimento ambientalista é resultado de uma das utopias dos tempos atuais, mas que, para que essa utopia seja implementada, são necessárias grandes mudanças na vida das pessoas. Muitas vezes elas não querem, e isso faz parte da democracia. Se há algo que possamos dizer que Cohn-Bendit defende de forma ferrenha é a democracia, com suas instituições, com sua estrutura, seus movimentos sociais. Acima de tudo, o voto. Conta que foi anarquista por muito tempo, até que entendeu que os movimentos sociais são necessários, que as pessoas precisam definir coisas concretamente e por isso precisam das instituições.

Utopias de hoje: Europa e meio ambiente

Sobre as utopias de hoje, destaca duas que valem a pena defender: a Europa, em seu modelo de integração entre as nações que faz com que seja impossível acontecer guerras lá dentro; a transformação ecológica, que depende de transformações na vida das pessoas, no seu cotidiano e no nosso modo de produção. Mas essas mudanças não podem ser implementadas contra a vontade das pessoas, e aí é que está a grande questão: “temos que desafiar a sociedade de forma democrática”.

“Precisamos esquecer as utopias antigas, mas utopias são necessárias, ancoradas na realidade, para dar força para as transformações políticas. O que move as utopias é o prazer pela vida.”

Por isso que Woodstock deu certo. Porque, movido pelo prazer pela vida e calcado em uma grande diversidade, o movimento conseguiu ganhar força para lutar contra a Guerra do Vietnã.

“Se vamos conseguir realizar tudo, não sei. Mas sei que vale a pena lutar para conseguir.”

América Latina

Por fim, Conh-Bendit foi perguntado sobre a América Latina, se a Europa seria um modelo de integração para o nosso continente. Sua resposta foi curta e rápida: “Sim, sim, sim!”. Mas com uma ressalva: isso não se impõe a partir de fora, é preciso ter forças internas para construir a integração.

Para que servem as utopias?