Conselho Estadual de Comunicação vai a consulta pública

O governador Tarso Genro não vai ao BlogProgRS, mas escolheu o dia da abertura do encontro (3 de agosto) para reunir blogueiros e anunciar, em primeira mão, que o projeto do Conselho Estadual de Comunicação passará por consulta pública antes de ser encaminhado à Assembleia Legislativa. “Nós queremos incorporar no projeto uma contribuição da sociedade civil para ir à AL com forte carga de legitimidade”, disse durante a coletiva. A consulta vai ser aberta em 10 de agosto.

A decisão de abrir para a população opinar e modificar o projeto do Conselho Estadual de Comunicação lembra o processo de criação do Marco Civil da Internet, que agora está no Congresso Nacional. O projeto foi discutido com a população através da internet, de forma parecida à do Conselho de Comunicação gaúcho.

É sempre bom ver surgir novas formas de participação da sociedade no estado. O governo Tarso criou o Gabinete Digital, que disponibiliza umas quantas ferramentas bacanas, mas ainda limitadas, de fortalecimento da cidadania. Eu diria que a abertura para essa construção coletiva do projeto do conselho é um dos mais importantes passos já tomados pelo governo no sentido de ampliar a participação popular. O formato da consulta vai ser anunciado nos próximos dias pelo Gabinete Digital, onde o processo todo vai acontecer.

A conversa com Tarso focou no anúncio da consulta pública, com ênfase grande na abertura do governo à participação popular. “Hoje o estado é cada vez mais cercado por estruturas de escuta e conexão entre o governo e a sociedade civil. Por que não poderia haver na Comunicação?”, questionou.

Foram várias as frases de efeito enfatizando a importância da participação popular para o governador. “Queremos de forma cada vez mais aberta e extrema o controle público sobre o estado. Que o diálogo entre governo e sociedade civil seja cada vez mais intenso e um elemento civilizatório do espaço democrático.” Quando perguntado sobre em que medida @s blogueir@s podem ter acesso ao governo, foi hábil: “Todo cidadão que quiser participar do governo do estado vai encontrar ferramentas. Blogueiros podem ter acesso direto ao projeto, ao governo e ao governador”.

Tarso garantiu que tem abertura para as mais diversas modificações no projeto de lei, inclusive reduzir a importância do estado dentro do conselho. Disse que deve ser “minoria absoluta” e que não vê nenhum problema em o estado não ter direito a voto, se esse for o entendimento tirado da consulta pública. E avisou que o projeto pode ir à Assembleia com regime de urgência, dependendo do “grau de consenso”. Afinal, o conselho não é pra ser efetivado só no final do governo.

Críticas à mídia no julgamento do mensalão

A conversa foi legal também porque foi além e permitiu que o governador comentasse um pouco outros temas recentes que sofrem pressão da mídia. Claro, o julgamento do mensalão, que já foi feito antecipadamente nos grandes jornais e canais de televisão. “A grande mídia está adiantando qual deve ser a sentença do Supremo (Tribunal Federal) e, se o Supremo não der essa sentença, ele vai ser deslegitimado.”

Disse não ter proximidade com nenhum dos réus, apesar de alguns serem do seu partido e, portanto, nenhum interesse particular no resultado, mas que vê que “está sendo formada uma opinião de que são todos culpados. E uma opinião abstrata contra um partido político, o meu partido. Nossa esperança democrática é que o Supremo julgue de acordo com as provas e com o processo e não de acordo com aquilo que está sendo mandado pelos meios de comunicação”.

Valorização da blogosfera

Não é a primeira vez que o governador escolhe blogueiros para dar uma notícia importante, daquelas que não podem ser ignoradas por nenhum veículo de comunicação que se preze. Foi o que aconteceu, por exemplo, no final de 2009, ainda no período de transição de governo, quando Tarso anunciou em sua primeira coletiva a blogueir@s que Vera Spolidoro seria a secretária de Comunicação e Inclusão Digital do estado.

Fotos: Camila Domingues/Palácio Piratini

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Conselho Estadual de Comunicação vai a consulta pública

Programação I #BlogProgRS

Inscrições gratuitas aqui

18h30 — Credenciamento e abertura com autoridades e convidados;

19h30 — Mesa de abertura: “As mídias digitais e a democratização da democracia”.

28 de maio, Sábado

09h00 — Mesa de debates: “A importância estratégica e a viabilização da comunicação digital”;
11h00 — Debate e perguntas de plenário, respostas e considerações da mesa;
12h00 — Almoço;
14h00 — Mesa de debates: “Políticas públicas para comunicação digital”;
16h00 — Oficinas simultâneas;
17h30 — Relatos e experiências de blogs: Cultura Crossdresser, Salto Alto Futebol Clube, El blog de Norelys e Teia Livre;

29 de maio, Domingo

09h00 — Debate de plenário sobre o II BlogProg Nacional, elaboração da Carta dos Blogueir@s e Tuiteir@s Gaúch@s;
11h15 —
Coffee Break;
11h45 — Deslocamento para o Parque da Redenção;
12h15 — PIG PARADE no Parque da Redenção.

*A agenda poderá ainda sofrer alterações.

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Mesas de debates

As mídias digitais e a democratização da democracia

Vera Spolidoro — Secretária de Comunicação e Inclusão Digital do Estado do Rio Grande do Sul;

Altamiro Borges — Jornalista, blogueiro (Blog do Miro, http://altamiroborges.blogspot.com/), presidente do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé (http://www.baraodeitarare.org.br/), ativista pela democratização da comunicação, organizador do BlogProg nacional, membro do Comitê Central do PCdoB (Partido Comunista do Brasil) e autor do livro “Sindicalismo, resistência e alternativas”.

Marcelo Branco — Profissional de TI, ativista pela liberdade do conhecimento.

A importância estratégica e a viabilização da comunicação digital

Eduardo Guimarães — Blogueiro (Blog da Cidadania, http://www.blogcidadania.com.br/), comerciante, ativista político (presidente do Movimento dos Sem Mídia), organizador do BlogProg nacional.

Leandro Fortes — Blogueiro (Brasília, Eu Vi, http://brasiliaeuvi.wordpress.com/). Organizador do BlogProg nacional. Jornalista, repórter da revista Carta Capital. É autor dos livros Jornalismo Investigativo, Cayman: o dossiê do medo, Fragmentos da Grande Guerra e Os segredos das redações. É criador do curso de jornalismo on line do Senac-DF e professor da Escola Livre de Jornalismo.

Gabriela Zago — Jornalista gaúcha e pesquisadora de comunicação e jornalismo nas redes sociais digitais, blogueira (http://www.gabrielazago.com/), doutoranda em comunicação e informação, colaboradora do TwitBrasil e da Wave Magazine.

Luiz Carlos Azenha — Jornalista, blogueiro (Vi o mundo, http://www.viomundo.com.br/), organizador do BlogProg nacional. Foi correspondente internacional da Rede Manchete, do SBT e da Rede Globo. Atualmente, faz reportagens para a Rede Record e é diretor geral do programa Nova África da TV Brasil.

Renato Rovai — Blogueiro (Blog do Rovai, http://www.revistaforum.com.br/blog/). Jornalista, editor da revista Forum. Organizador do BlogProg nacional.

Políticas públicas para comunicação digital

Cláudia Cardoso — Diretora de Políticas Públicas da Secretaria de Comunicação e Inclusão Digital do Governo do
Estado do Rio Grande do Sul;

Vinícius Wu — Secretário Chefe de Gabinete do Governador do Estado do Rio Grande do Sul, coordenador do Gabinete Digital.

Debatedor: Marco Weissheimer — Jornalista, blogueiro (RS Urgente, http://rsurgente.opsblog.org/), editor da revista eletrônica Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/)

Oficinas simultâneas

Administração e ferramentas para blogs

Tatiane Pires — estudante de ciência da computação na PUC/RS, é programadora e webdesigner, escreve no blog tatianeps.net e colabora no portal Teia Livre (http://www.teialivre.com.br).

Redes Sociais

Mirgon Kayser — Assessor de Organização, Sistemas e Métodos da Fundação Cultural Piratini – TVE/RS e FM Cultura. Blogueiro, autor do Blog do Mirgon (http://blogdomirgon.blogspot.com/).

Relatos e experiências de blogs

Luísa Stern — Cultura Crossdresser (http://www.culturacd.com/)
Roberta Konzen e Quetelin Rodrigues — Salto Alto Futebol Clube (http://saltoaltofutebolclube.wordpress.com/)
Norelys Morales — El blog de Norelys (http://islamiacu.blogspot.com/)
Marco Aurélio — Teia Livre (http://www.teialivre.com.br)

Programação I #BlogProgRS

Não há liberdade nem igualdade sem democratizar a comunicação

Os dois últimos dias foram desses em que acontece coisa demais, e as 24 horas parecem dobrar. A correria normal do trabalho contribuiu para a sensação de muita coisa em muito pouco tempo, mas o que realmente fez a diferença nestas segunda e terça foi muito mais o intenso debate político da comunicação do que qualquer desgaste físico.

Além de ter que segurar a tietagem (confesso!) na conversa informal com um dos melhores jornalistas do país, Leandro Fortes, o ponto alto foi a palestra dele ao lado de Venício Lima no Fórum da Igualdade. Uma escolha díficil de fazer, já que concorriam Altamiro Borges, Vera Spolidoro, Maria Frô e Marcelo Branco, sem contar Pedrinho Guareschi e João Pedro Stédile, que infelizmente não pude assistir. Alguns, pensadores que admiro e respeito; outros, atuantes na área da comunicação digital, de diversas formas; por fim, a representação do governo do estado, falando das políticas públicas que estão sendo desenvolvidas e da inclusão digital que vem sendo formulada.

A sensação era de vivenciar uma espécie de utopia na comunicação. Ainda que estejamos bastante longe de democratizar o acesso à informação, o fato de governo e movimentos sociais convergirem na forma de fazê-lo é sensacional. Tem alguém de fato tentando colocar em prática tudo aquilo que li e defendi como o processo ideal de ampliar a pluralidade da informação. Paralelo à programação do Fórum, ainda tive a oportunidade de assistir o governador Tarso Genro, na assinatura do pacto entre poderes para a produção do programa jornalístico espaço aberto, pela TVE, falando na necessidade de o Estado incentivar a pluralidade do acesso à informação e de ele acreditar que as pessoas podem julgar por si as coisas, sem uma imprensa manipulatória a dizer-lhe como pensar.

Não que tudo esteja um mar de rosas, é importante salientar. Temos um enfrentamento muito grande a fazer com o modelo tradicional de comunicação de massas brasileiro e a transgressão nas regras constitucionais de propriedade de veículos de comunicação, consolidada há décadas.

Redes sociais e democratização da comunicação

É nesse sentido que defendi, na oficina em que tive a oportunidade de dividir a mesa com Tatiane Pires, Sr. Cloaca e Silvio Belbute, que os blogs e as redes sociais aparecem como uma alternativa de dar voz a quem antes não tinha. De forma alguma isso significa que todos na internet têm o mesmo tipo de pensamento ou divirjam da imprensa tradicional. É antes um espaço onde é possível ser feito. Como uma cidadã qualquer, sem muito dinheiro ou influência, eu dificilmente conseguiria dizer a centenas de pessoas que eu discordo do que a grande mídia faz ou que há coisas que ela não está mostrando sem a rede. Sem grande investimento, eu tenho acesso a essa ferramenta.

O sensacional é justamente o caráter de rede da internet, que lhe dá uma força extraordinária, como salientou Sr. Cloaca. É impossível saber a audiência de determinado conteúdo, porque ele se multiplica, através de citações em redes sociais, repercussões em outros blogs, envio de e-mails… E isso é ótimo, porque o mais importante não é o autor ou o veículo, mas a informação.

De toda a discussão, que durou duas horas, acho importante salientar o fato unânime de que as redes sociais não são exatamente “redes sociais”, mas ferramentas, que facilitam a disseminação de conteúdo e a mobilização, mas que não são mágicas. São espaços onde se pode potencializar a troca de informações e a mobilização, essas construídas fora da rede. O importante é aproveitar da melhor forma possível esses espaços.

Voltarei ainda muitas vezes com os temas discutidos no Forum, extremamente pertinentes na luta por garantir maior democracia no acesso à comunicação.

Não há liberdade nem igualdade sem democratizar a comunicação

Governo Yeda termina como começou: um desastre

Se o governo de Yeda Crusius no RS foi catastrófico ao longo de quatro anos, não seria agora que as coisas mudariam.

A Página 10, coluna da Rosane de Oliveira em Zero Hora, denuncia o descaso do governo com as questões da transição. A secretária de Comunicação, Vera Spolidoro, não tem conseguido informações básicas, fundamentais para estruturar a futura Secretaria. Diante da ausência de respostas, foi ao Palácio Piratini, onde não foi recebida.

Yeda contesta as críticas com relação aos contratos que queria assinar ainda esse ano, dizendo que governa até 31 de dezembro. Afirma, com isso, que o Rio Grande não pode parar. Mas essa negativa de atender à transição – o futuro chefe de gabinete, Vinícius Wu, também está sendo ignorado – pode tornar o início do novo governo menos produtivo, pois ainda vai precisar de um período para se inteirar da situação e adequar os projetos às condições de que dispõe.

Ou seja, Yeda mostra orientar-se apenas por interesses pessoais, para preservar sua imagem (se ainda tiver uma), sem se preocupar com o futuro dos gaúchos. O nome disso? Demagogia.

Governo Yeda termina como começou: um desastre

A esperteza de Zero Hora

A Zero Hora não costuma primar pela qualidade. Me refiro tanto à falta de isenção, que diz ter, quanto à questão mais prática de apuração e qualidade dos textos. Mas às vezes se mostra mais esperta que seus parceiros do Centro do país. Enquanto Folha, O Globo e Estadão deram destaque à entrevista coletiva de Lula a blogueiros, ironizando e recriminando o presidente e debochando dos blogueiros (não tenho cá comigo a imagem, mas quem se superou em todos esses quesitos foi o jornal O Globo), a Zero Hora deu uma notinha em uma página insignificante com um relato breve do acontecido, sem foto. Os jornalões citados escancararam os rostinhos dos comunicadores presentes ao lado de Lula.

Com a entrevista do governador eleito Tarso Genro, seguindo os moldes do presidente, ela fez parecido e deu uma nota seca em um pé de página par. É possível que nem tivesse mencionado o encontro, ou falasse em apenas duas linhas, se Tarso não tivesse forçado a notícia. Afinal, se a Zero Hora é esperta, o governador é mais, e aproveitou a ocasião para anunciar a competente Vera Spolidoro para a Secretaria de Comunicação e Pedro Osório para a presidência da Fundação Piratini, forçando a menção ao encontro.

O jornal evitou fazer juízo do conteúdo da coletiva. Aliás, mal entrou no mérito, indo pouco além da alfinetada que não poderia faltar sobre a censura que a grande imprensa costuma ver em qualquer tentativa de democratizar a comunicação. Acho tão engraçado, porque contradizem o que eles mesmos dizem. Como uma “democratização” pode significar censura? O significado do termo é exatamente o oposto de censura, e vai na direção do que hipocritamente a ZH defende, embora não pratique: a pluralidade.

Mas faz sentido que não gostem. Afinal, democratizar traz embutido dividir. Para que os que têm menos tenham mais, os que têm mais devem perder alguma coisa, nem que seja apenas poder (o que faz todo sentido, em uma perspectiva de mais igualdade). Isso se aplica a qualquer setor da sociedade, inclusive comunicação. Como quem tem poder hoje são esses jornalões citados, que pautam a discussão e formam opinião, eles não gostam da ideia de democratizar.

Nenhum deles gosta, mas é aí que entra a esperteza do negócio. A RBS, ao não dar destaque ao tema, neutraliza o debate em setores da sociedade que praticamente só têm acesso à informação através dela. Já os jornais do Centro do país acabaram caindo na armadilha e exalando despeito, em seus comentários mal intencionados, recheados de inveja e mau-caratismo.

Nesse caso, a “inteligência” da Zero Hora é prejudicial à sociedade, pois enfraquece o debate sobre democratização, ajudando a impedir que muitos setores tenham voz. O jornal podia usar sua esperteza para produzir conteúdo de mais qualidade para a sociedade e valorizar seus funcionários. #ficaadica

A esperteza de Zero Hora