O primo pobre do PMDB

Concorrem com certa força ao governo estadual um representante do governo Lula, um do governo Yeda e um do governo Fogaça. União, Estado e Município. Nos dois últimos casos, são os próprios chefes do Executivo que encabeçam a chapa.

O PTB, que estava fingindo ter força até ontem, anunciou que não vai mais insistir na candidatura de Luis Augusto Lara para governador do Rio Grande do Sul. A retirada era questão de tempo, qualquer um sabia. Lara insistiu em manter seu nome na disputa com a intenção de valorizar seu passe e o do PTB, costurar alianças com mais força. Não deu certo. Agora, o partido declara-se neutro, não vai apoiar a priori nenhuma chapa majoritária.

Os motivos são dois: o cenário descrito no primeiro parágrafo e as pesquisas. O PTB ocupa cargos nos três governos, e não quer perder a boquinha. Anunciando apoio a algum candidato, teria que desfazer a promiscuidade pelos próximos meses, e não interessa ficar longe do poder um minuto que seja.

As pesquisas, por outro lado, vão servir para orientar o PTB, já no fim do processo eleitoral, a escolher o melhor apoio. Não deve contar programa partidário ou identificação ideológica, mas os números. Os maiores nas sondagens devem receber o partido. O PTB não vai ser vice de nada, perdeu o bonde. Em compensação, vai estar próximo de qualquer um que se eleger e deve continuar no poder. Vai ser desde criancinha simpatizante do partido eleito.

Aprendeu a lição do maior oportunista político brasileiro, o PMDB. Só que não tão direitinho. Se for ver de perto, o PMDB também está, ou esteve, presente nos governos Lula, Yeda e Fogaça. É tão prostituído quanto. Mas não aparenta o mesmo mau-caratismo que o PTB (e mesmo se aparenta, todos fingem não ver, ninguém prescinde do apoio do PMDB, pelo contrário, brigam por ele). É mais velado, embora seja tão ruim ou pior. Só que mais inteligente. Talvez por isso ainda pior, já que acaba sempre com mais força, mais poder.

O PTB mama. O PMDB dá as cartas.

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O primo pobre do PMDB

Algumas considerações sobre a coletiva de imprensa de Yeda

A governadora do RS insiste em que não tem uma prova contra ela. E as compras da Tok & Stok?

E como é que ela tem cara de pau de culpar a imprensa pela crise?

“Sofri muitas vezes em silêncio”. Não precisa de comentários. Façamos nós silêncio agora por pena dessa senhora tão digna.

Ela diz que evitou a imprensa durante a crise. Bacana isso para o eleitor, né? Seu governante não quer que ele saiba o que está acontecendo.

“Meu objetivo é o de que possamos viver em harmonia”. Em uma casa bonita, com móveis novos, é fácil ter harmonia. Quero ver manter relações harmônicas em escolas de lata.

A culpa da crise, segundo Yeda, é do vice-governador. Quer dizer… Ela diz que a culpa é dela, na verdade, por ter aceitado o vice, mas que esse erro – o primeiro cometido por ela – seria o principal motivo da crise. Ela seria uma vítima, talvez?

O segundo erro foi “ter comprado a minha casa logo depois da eleição”. Foi apenas um problema de data errada, só isso. “A casa custou, sim, 750 mil reais. Para muitos, um dinheiro que eles nunca vão ver na vida.” Mesmo que a compra tenha sido legal, que esteja tudo bonitinho, que o dinheiro público não tenha sido usado, como é que ela tem coragem de dizer esse tipo de coisa? Eu teria vergonha de uma frase dessas, de esbanjar e principalmente de esnobar. Porque foi extremamente arrogante e elitista, indigno de uma chefe de Estado.

“A casa própria é o sonho de todo brasileiro. Sou uma brasileira, era meu sonho.” O sonho da Yeda custa 750 mil reais. O da maioria da população – os que conseguem realizá-lo – custa, sei lá, uns 50 mil, se tanto. E parcelado. Lembrando a vida inteira, sempre que chega a cobrança todo mês, de como custou realizar o sonho.

“Eu acredito que cada governante que me antecedeu fez o melhor que pode.” Eu não tenho tanta certeza assim, mas de qualquer forma o importante aqui é perguntar: fez o melhor pra quem?

Os móveis comprados, de acordo com a cara de pau de Yeda, foi para “vestir as casas” para dar “um local de trabalho digno aos brigadianos que cuidam da minha segurança”. É tudo uma questão de gestão, entende? Puro altruísmo! Afinal, “o Palácio Piratini não apresenta condições para moradia”. Eu gostaria que Yeda fizesse uma visita a residências pobres dos seus eleitores que não têm emprego ou dos seus funcionários que ganham muito pouco. Ou escolas de lata, de repente. Talvez mudassem seus conceitos sobre “condições de moradia”. Ou não, sei lá, não confio muito na sensibilidade dessa figura.

O áudio foi tirado do site do Correio do Povo.

respiracao

Algumas considerações sobre a coletiva de imprensa de Yeda

"Uma baita chinelagem" – agora admitida

Os gastos com a reforma da casa da casa onde a governadora Yeda mora com a família, sua propriedade privada, chegaram a R$ 100 mil, pagos com dinheiro público.

“Em nota emitida a noite, o governo do Estado diz conhecer o uso do dinheiro público na reforma da mansão e afirmou que é legal. Segundo o texto, bens e serviços podem ser adquiridos para o local em que o governador mora. No final do mandato, os bens deverão ser restituídos ou indenizados ao Estado.” (Diário Gauche)

Imagino que eles realmente pretendiam indenizar o Estado, evidentemente. Ou entregar a casa para o povo (o lar que, segundo a governadora, foi violentado pelo CPERS), já que ela também está sob suspeita.

Ainda segundo o Diário Gauche, “a governadora do Rio Grande do Sul é portadora de uma personalidade lúmpen, que rapina, se aproveita, tira vantagens e mistura a sua própria casa familial com o Tesouro público. 

No popular: – Uma baita chinelagem!

"Uma baita chinelagem" – agora admitida