Mais investimentos ou Estado mínimo? Qual é, afinal, a linha editorial dos grandes grupos de comunicação?

Resposta: a que convém ao momento.

Ok, acho que um dos papéis do jornalismo é apontar os problemas nos diversos serviços públicos (deveria falar mais de empresas privadas também, mas deixemos isso pra um outro momento). Mas quando se fala SÓ dos problemas de uma política que se sabe que teve muitos avanços, o jornalismo já não está mais cumprindo seu papel.

Hoje a rádio de maior audiência do estado entrevistou professores de escolas da rede pública estadual para que falassem de problemas de infraestrutura nas suas unidades. Nenhuma escola que foi reformada foi convidada a participar, pelo menos na parte do programa que eu ouvi. Dessa forma, a rádio instaura um cenário de caos, mas que é um cenário parcial, que não corresponde ao todo da realidade. Cria uma percepção do todo com base na parte e não contribui para a compreensão da situação da educação no Estado. Aí vão alguns poucos dados que mostram alguns dos avanços:

– 63 escolas já têm um computador por aluno

– embora ainda bem longe do ideal, os professores da rede pública estadual receberam 76,68% de aumento e nenhum percebe, na prática, menos que o piso

– 5,5 mil novos professores foram nomeados

– 1.800 escolas foram reformadas ou receberam algum tipo de intervenção, totalizando R$ 300 milhões em investimentos

Crianças do projeto Província de São Pedro usando computadores

Aqui é possível encontrar mais informações sobre o programa Província de São Pedro, que tem como objetivo destinar um computador por aluno da rede estadual.

Educação é um ponto sensível, sim, até porque foi o tema escolhido pela mídia para fazer a oposição mais pesada. Toda a estrutura, desde as instalações até os recursos humanos estavam completamente defasados. Lembram das escolas de lata?

Ainda está longe do ideal? Claro! Os professores seguem ganhando pouco, as escolas ainda não estão adaptadas às necessidades do século XXI – muitas ainda nem às do século XX -, mas na política a gente sempre tem que avaliar em perspectiva, e comparar é fundamental. Quando antes houve avanços tão grandes em tão pouco tempo na educação no Estado?

Pois é.

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Aliás, vale dar uma bisoiada também (quer dizer, não vale muito) na coluna da Maria Isabel Hammes, na editoria de Economia da Zero Hora hoje (6). Ela defende claramente uma política de redução de investimentos, de corte de gastos, para que se consiga diminuir a dívida do Estado. Mais ou menos o que fez o governo Yeda, que parou de investir e estagnou o Estado. Que andou pra trás. Isso no mesmo dia que o seu colega critica repetidamente a situação das escolas.

Mas, peraí, é pra investir ou não? Percebam que a equação do Grupo RBS não funciona. Como melhorar os serviços e aplicar a política do Estado mínimo ao mesmo tempo? Pra andar pra frente, pra funcionar, o Estado precisa de investimentos. A política de incentivo ao desenvolvimento aplicada pelo Governo Tarso se baseia justamente no aumento de investimentos, na recuperação da estrutura do Estado. Mas infelizmente muitos desses investimentos ainda estão recuperando o rombo causado pela inércia dos serviços públicos na gestão anterior. Ainda restam muitos problemas, sem dúvida, mas, repito, é preciso ver em perspectiva. E aí se percebe o tanto que se vem avançando.

O que não dá é pra pedir escolas melhores, salários melhores, estradas melhores, novos hospitais, mais médicos e assim por diante e ao mesmo tempo pedir redução de impostos e corte de gastos. Afinal, é Estado mínimo ou é mais Estado? Podiam pelo menos definir uma linha de raciocínio, pra criticar de um jeito um pouco menos contraditório.

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Foto: Camila Domingues/Palácio Piratini

Mais investimentos ou Estado mínimo? Qual é, afinal, a linha editorial dos grandes grupos de comunicação?

Anúncio do pibão evidencia partidarismo da imprensa

Não foi em tom de dúvida. O caderno Dinheiro da Zero Hora de domingo foi uma constatação, uma certeza de que o Rio Grande do Sul não tem chance. Uma frase atrás da outra montando um retrato de caos. As contas do estado não fechariam, o crescimento seria ínfimo, quase sem salvação. Quer dizer, salvação até teria, mas seria preciso “reinventar-se outra vez, encontrar um rumo, tomar as decisões certas”. Ou seja, não com o governo que aí está, esse sem rumo.

Essa é a mensagem, claríssima, de um jornal que assume, neste caderno mais do que nunca, sua posição de oposição ao governo do estado. Vale dizer o que for, mesmo que não seja bem verdade.

Nem me refiro a uma frase específica. Vários problemas de fato existem, mas eles são descontextualizados, parecem fruto exclusivamente da política atual e termina que a narrativa constrói uma história que não corresponde com a realidade. Os números usados são de 2011, mas isso aparece no cantinho do gráfico, escondidinho. Em nenhum momento o texto deixa claro que o caos que eles estão mostrando não é atual, pelo contrário. Mas aí não passou nem uma semana e veio o anúncio de que o PIB gaúcho no 2º trimestre foi de 15%. Quinze por cento! Padrão chinês de crescimento, acima de qualquer indicador nacional. Mas lá na matéria do Itamar Melo e do Nilson Mariano está: “continuaremos a crescer mais devagar do que o Brasil nos anos vindouros”.

E é assim em todos os veículos do grupo. Num dia (terça, 10), a Gaúcha fala em risco de desemprego por retração da indústria no estado. No dia seguinte, a Zero Hora tem que dar o PIB de 15% por causa da "supersafra de grãos e da produção industrial". Não é de hoje que a RBS se comporta como partido. E não é de hoje que repudia qualquer ação desenvolvimentista, mas agora consegue dar uma volta e criticar a política desenvolvimentista do governo Tarso por… falta de desenvolvimento!

Mas não faltam investimentos e o estado cresce, como ficou provado poucos dias depois. O relatório da Fundação de Economia e Estatística (FEE) mostra muito claramente o cenário e evidencia essa postura partidária do grupo de comunicação. Aliás, escancara a manipulação da informação.

E, assim, na boa, comparar crescimento e políticas de 2013 com a República Velha é risível.

Anúncio do pibão evidencia partidarismo da imprensa

Tão definido esse jovem casal

 

 

“Um jovem casal liberal” é o oposto de um jovem casal realista?

Ou de um jovem casal monarquista?

Talvez de um jovem casal protecionista?

Quem sabe de um jovem casal conservador?

De um jovem casal estatista?

Ou de um jovem casal desenvolvimentista?

Ou anarquista?

Comunista?

Progressista?

Ou otimista?


As imagens foram surrupiadas da Zero Hora de 12 de setembro de 2012, caderno Casa&Cia.

 

 

Tão definido esse jovem casal

Déficit o quê mesmo?

Deixa ver se eu entendi… O governo Yeda não fez nada pelo RS, cortou investimentos, não fez concurso, ajudou a deteriorar os nossos serviços públicos, tudo em nome de um suposto déficit zero, e entregou o estado com uma dívida maior?

O que está escrito aí em cima:

Uma conta nefasta

Se nada mudar nos contratos de renegociação das dívidas dos Estados com a União, o Rio Grande do Sul seguirá cambaleando economicamente e, em 2028, ainda deverá o montante de R$ 26,4 bilhões ao Planalto.

A situação é alarmante porque em 1998, ano em que foram firmados os acordos, o passivo financiado pelo governo gaúcho era de R$ 11 bilhões. Mesmo pagando cerca de R$ 2,5 bilhões por ano ao governo federal, o Piratini viu a bola de neve aumentar devido à incidência de juros que retiram a capacidade de investimento e só fazem crescer a dívida. Essas informações constam no relatório final dos trabalhos da Comissão Especial da Dívida Pública, que será votado às 11h de amanhã, na Assembleia. Em tempos de queda da taxa Selic, os contratos se mostram um profundo contrassenso se considerarmos que o Estado precisa enviar aos cofres federais 13% da sua receita líquida real. O juro é de 6% ao ano, acrescido da correção do IGP-DI. Desde a renegociação, em 1998, o contribuinte gaúcho já bancou R$ 30 bilhões em pagamentos. O ano de 2011 foi fechado com um valor residual a ser quitado de R$ 38,7 bilhões. Estrangulado pela dívida, o governo estadual se torna um mero administrador de folha de pagamento. Esmagado pelo acordo, o Rio Grande do Sul não paga o piso dos professores, não investe os 12% previstos por lei em saúde, não soluciona o colapso do sistema prisional.

Os governadores que se sucedem têm, basicamente, três alternativas. A primeira é cruzar os braços e esperar o tempo passar. A segunda é apostar na austeridade, com cortes de gastos em todos os setores, promovendo alguma economia que possa se transformar em investimento. Esse foi o caminho seguido por Yeda Crusius. A terceira e última é a aquisição de empréstimos no BNDES e em organismos internacionais para investir em obras. Esse é o caminho seguido por Tarso Genro, que ainda tenta se livrar das amarras da burocracia para aplicar adequadamente os cerca de R$ 5 bilhões tomados em financiamentos.

É um escolha audaciosa, se propõe a aquecer a economia, mas também arriscada, pois eleva o endividamento em período de crise. O Piratini espera que os investimentos decorrentes dos empréstimos atraiam novos empreendimentos que incrementem a economia. Assim, poderão ser geradas mais riqueza e arrecadação, garantindo o pagamento dos financiamentos em longo prazo. Pode soar otimista demais, sobretudo em tempos de recessão e timidez do PIB. O fato é que já passou do momento de o governo federal repactuar os contratos e adotar juros compatíveis com a realidade. Os gaúchos seguem pagando uma dívida já quitada.

– Atualmente, o próprio governo federal disponibiliza financiamentos com pouco mais de 1% ao ano. Do jeito que estão os contratos, virou agiotagem, uma afronta ao pacto federativo – afirma o deputado estadual Giovani Feltes (PMDB), presidente da comissão.

Antes que os governos estaduais decretem falência, alguma coisa precisa mudar.

Déficit o quê mesmo?

Mais uma daquelas tristes charges do Marco Aurélio

Eu nem queria escrever sobre a Zero Hora de novo, mas aí me deparo com isto e fico sem opção:

Se a crítica fosse ao governo, poderia até ser válida, dependendo de como fosse construída (embora eu não acredite muito que o Marco Aurélio consiga fazer uma crítica decente e ainda engraçada), mas desse jeito, tentando frustradamente ironizar a péssima colocação do estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) tendo como alvo os alunos, ela é só agressiva e descabida.

A história do humor crítico no Brasil é riquíssima, cheia de exemplos de como ser engraçado e contribuir para o fortalecimento da democracia a partir da provocação, do escárnio. É lindo quando esse espírito existe, em qualquer governo, em qualquer jornal, e a crítica pode ser bem contundente. Mas tem que saber fazer. Não dá pra basear a piada em preconceito e humilhação, coisa que só faz quem não sabe fazer. Não é a primeira vez que digo e repito: o principal chargista da RBS não serve pro metiê.

Mais uma daquelas tristes charges do Marco Aurélio

Colunista de Zero Hora já julgou o mensalão

Parece sutil, difícil de notar na leitura rápida, mas o discurso de Rosane Oliveira no julgamento do mensalão, ainda antes de ele começar, já carrega em si o julgamento da jornalista.

“Ao final, os ministros vão dizer ao país se é legal o partido que está no poder distribuir dinheiro a seus aliados, pagar prestadores de serviço no Exterior, com dinheiro de origem escusa, financiar a boa vida dos membros do próprio partido com recursos supostamente emprestados por bancos cujos administradores também estão no banco dos réus.”

Presta atenção, caro(a) leitor(a)! A construção da frase da jornalista, editora de política de Zero Hora, deixa em aberto apenas a dúvida sobre a legalidade dos atos, mas já fechou questão sobre se eles foram ou não realizados.

Toda a defesa dos réus é baseada na ideia de falta de provas dos supostos crimes, ou seja, de que eles podem não ter acontecido (pelo menos não todos e não do jeito que a imprensa pintou), mas, aparentemente, Rosane não precisa delas. A jornalista já decidiu que houve tudo aquilo que ela cita ali. E isso antes de o julgamento começar. E mesmo a tese do pagamento mensal em troca de votos já ter ido por água abaixo, já ter sido escancarado que isso foi uma invenção da imprensa.

Nem os ministros do STF, que já leram o gigantesco processo, devem chegar ao começo do julgamento com decisão tomada. Jornalista pode? E pode passar isso para o leitor como informação?

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Infelizmente, hoje não deu tempo de ler com atenção a pré-cobertura de outros veículos sobre o julgamento do mensalão. Só na Zero Hora tinha muito mais detalhes (daqueles que são pequenos, mas fazem toda a diferença) pra apontar, mas decidi não incomodar tanto o leitor e mostrar apenas aquilo que escancara a postura do jornal, de posição já tomada, a ser defendida com unhas e dentes ao longo de todo o processo. Vale acompanhar com os dois pés atrás.

Colunista de Zero Hora já julgou o mensalão